Opinião

Valor económico do saber

Um dos ganhos a considerar registado no país, nos últimos seis anos, foi a expansão e surgimento de novas universidades. Hoje, são visíveis os reflexos positivos, principalmente, no seio da camada mais jovem ávida em prosseguir com os estudos em várias áreas do saber.

Um dos ganhos a considerar registado no país, nos últimos seis anos, foi a expansão e surgimento de novas universidades. Hoje, são visíveis os reflexos positivos, principalmente, no seio da camada mais jovem ávida em prosseguir com os estudos em várias áreas do saber.
O reconhecimento da estratégia adoptada nas faculdades públicas por atingirem todo território nacional através do sábio formato designado Regiões Académicas. Enquanto a maioria das faculdades privadas convencionou referenciar institutos superiores politécnicos ou escolas superiores.
Um valor acrescido a ressaltar é que o surgimento de várias instituições de ensino superior proporcionou a diversificação de cursos desde teóricos aos com maior carga prática, exigindo mais dedicação, empenho e rigor do intelecto para se alcançar os objectivos.
As áreas de pesquisa científica, além de se tornarem mais exigentes, aumentarem e diversificaram-se. Entre elas, as que mais cativam os estudantes são as relacionadas com o mundo da Economia, Direito, Engenharias, Comunicação Social, Medicina, Educação e outros.
A diversidade de escolas superiores já dá a oportunidade do candidato corresponder com os seus gostos, assim como ficou solucionada a questão das deslocações de muitos estudantes ou mesmo mudar de localidade com destaque nas épocas do arranque do ano lectivo.
Já se tornou numa febre a apetência por uma maior superação e qualificação académica, cumprindo-se assim com o direito de ser bacharel, licenciado, mestre e doutor. Urge paciência à caminhada a ser feita em vários anos e capacidade de superar os eventuais obstáculos próprios de quem inova.
Por exemplo, o universo de estudantes na 6ª Região Académica, situada nas províncias da Huíla e Namibe, ascende os 20 mil a cada ano lectivo. Com essa faixa, estamos perante um verdadeiro mundo de pesquisadores com amplos assuntos curriculares e do quotidiano a investigar com vista a propor respostas convincentes e actuantes dos problemas que enfermam a sociedade.
Facilitam o curso académico as tecnologias de informação com inovações imparáveis. O que não facilita mesmo é a existência de laboratórios não apetrechados ou com ausência de especialistas com atributos de manejar as respectivas peças em condições de produzir miniaturas que tornadas reais, se afiguram resolúveis as situações sociais.
O mundo de pesquisadores das universidades tem a obrigação de despertar e agir rápido. Despertar no sentido de produzir conhecimento que diga-se em abono da verdade, é uma área ainda adormecida. Continua a ser insuficiente o número de docentes e discentes a vincar a obrigação de publicar.
Quase que não existem nas universidades brochuras, manuais, jornais eficientes e periódicos que trazem à tona as pesquisas académicas. Se o básico continua a ser feito e os que o fazem contam-se aos dedos, nos envolvemos numa utopia realçar a publicação permanente de obras científicas como tal.
Os actores principais das academias regionais ou nacionais parecem estar a perder a noção chave de universidade ser o centro de produção do conhecimento efectivo e voltados aos vários problemas sociais. Os poucos que compõem e lançam livros ou escrevem artigos para jornais ou outras publicações, estão engolidos nas dezenas de docentes e discentes que nunca ousou em publicar um livro ou simplesmente um artigo.
Para tapar o sol com a peneira, já são muitas instituições de ensino superior que estão a socorrer-se no mais fácil, aproveitando o facebook para despejar mensagens a maioria sem cariz científico. Se a edição de um livro envolve recursos financeiros, não acontece com um jornal temático ou generalista. Há até quem os remunera.
Quando se ignora a produção de conhecimento, sendo que muitos servem de base para investigações mais profundas e debate, é posta em causa a qualidade da universidade A ou B, por mergulhar no marasmo da incompetência, da improdutividade e até mesmo da mediocridade.
A haver vontade de se inverter o quadro, estará a vista muito mais pesquisas, debate produtivo e melhor qualificação dos estudantes já no próximo ano lectivo, onde cada instituição não medirá esforço para lançar a sua publicação científica.