Opinião

Trade offs nas famílias

Em economia chamamos trade offs o processo de escolha e as suas implicações. Na verdade, a ideia de como fazer trade offs é um tema bastante importante da microeconomia, principalmente nos dias de hoje em que os agentes económicos se deparam com escassez de recursos, pois a má aplicação desse instrumento ditará o sucesso ou fracasso das famílias.

Em economia chamamos trade offs o processo de escolha e as suas implicações. Na verdade, a ideia de como fazer trade offs é um tema bastante importante da microeconomia, principalmente nos dias de hoje em que os agentes económicos se deparam com escassez de recursos, pois a má aplicação desse instrumento ditará o sucesso ou fracasso das famílias.
Como se sabe, as famílias têm, naturalmente, um rendimento limitado que pode ser gasto numa ampla variedade de bens ou serviços ou poupado para o futuro e, com base nas suas preferências, maximizam o próprio bem-estar optando por comprar mais unidades de determinado bem, adquirindo menos de outro.
Hoje, porém, tem se verificado que muitas famílias se debatem com enormes dificuldades em definir prioridades na aquisição de bens de consumo imediato e de como adquirir mais bens essenciais com pouco dinheiro disponível.
Enquanto outras mesmo tendo um rendimento razoável, chegam-se sempre no final do mês com um défice no seu orçamento doméstico, pois gastam mais do que rendem, tendo como resultado o endividamento constante.
Esta prática descontrolada na aquisição de bens de consumo (snobismo) é certamente uma doença económica, motivada pela compra por impulso.
Esta situação é a que se está a confrontar quase todos os países em vias de desenvolvimento e nalguns casos, as economias da Europa, que viviam acima dos seus rendimentos. E esta situação pode-se também aplicar no seio das famílias que tentam manter um nível de vida aparente, deixando um vazio nas suas poupanças.
Durante um certo tempo, muitas famílias, empresas e nações tiveram que sacrificar o seu consumo presente para investir no futuro, e hoje, os resultados estão aí a mão de semear. Empresas promissoras, famílias bem sucedidas e nações em franco desenvolvimento.
Por isso, é necessário definir prioridades: o que comprar, quando comprar e para quê comprar.
E quando se fala em prioridades na aquisição de bens, a ideia remete-nos num instrumento bastante simpático em macroeconomia, a chamada fronteira de possibilidade de produção (FPP).
Este instrumento define a quantidade de bens a produzir ou adquiri com
poucos recursos disponíveis.
As famílias têm que saber definir se vão comprar fuba, ou bombó para fazer a fuba? Se vão comprar kizaka ou pilão para se triturar mais? Comprar bolo ou forno para mais bolos? Comprar sumo ou liquidificador para fazer em casa? Reflectindo nessas questões os consumidores podem tomar decisões pertinentes relativas às compras.
Aliás, deve-se lembrar que diante da aquisição de bens, o consumidor deve ter em mente a preferência, restrições e a escolha. Esses três componentes bem executados fará com que muitos agentes aplicarão da melhor forma os seus recursos escassos.
E devido a dificuldade que as pessoas encontram na alocação dos recursos, nos últimos anos os economistas têm vindo a desenvolver modelos para o comportamento do consumidor, que incorporam premissas mais realistas sobre racionalidade e tomada de decisão.
Essa área de pesquisa chamada economia comportamental tem sido extremamente influenciada por descobertas da psicologia e de outros
campos relacionados.
Mas apesar desses fundamentos, os compradores e consumidores devem sempre ter em atenção que, em qualquer sociedade, os rendimentos das pessoas não são os mesmos.
Há os que ganham mais e os que ganham menos. Esta teoria em economia é chamada de óptimo de pareto, um contributo do economista francês Vilfredo Pareto.
Um óptimo de pareto é aquela posição onde não é possível melhorar um sem prejudicar outro.
Esta teoria assegura que a eficiência na afectação dos recursos significa que não é possível alterar o padrão na produção de forma a que todos os agentes da economia fiquem melhor ou igual: alguém tem de perder.