Opinião

Sustentabilizar a dívida

Em linhas gerais, o demandante ou tomador de créditos, procura por mutuantes capazes de oferecer taxas de juros menos penosos e um tempo de maturidade de amortização das obrigações mais alargado.

Em linhas gerais, o demandante ou tomador de créditos, procura por mutuantes capazes de oferecer taxas de juros menos penosos e um tempo de maturidade de amortização das obrigações mais alargado.
Assim sendo, não se pode perder de vista que a reputação deste demandante ou tomador, quer na arena interna, quer na externa, e o nível de vulnerabilidade da sua economia são pressupostos que pesam significativamente nos processos de negociação creditícia. Isso, sem mais nem menos, significaque a “confiança” do dador é condição chave na “toma de créditos”.
Quanto menos ela for, mais oneroso se torna o crédito, uma vez que o dador vislumbrará menos motivos de o tomador de crédito, vir a ser inadimplente. Logo, se pode paralelamente, depreender, por um lado, as razões que levaram o nosso Executivo a recorrer ao empréstimo financeiro junto do FMI, na qual a taxa de juro não irá sobrepor os três por cento, havendo quatro anos de graça e dez de maturidade, respectivamente, por outro que o FMI, ao disponibilizar a primeira tranche, de quase mil milhões de dólares, deu sinal de que está de acordo com os desafios macroeconómicos que o Executivo se predispõe em levar a cabo.
Dos 4,5 mil milhões de dólares postos à mesa de negociações, 3,7 foram aprovados pelo FMI, uma vez que, a meu entender, a proposta inicial foi considerada, por várias razões, como sendo insustentável para Angola, o que demostra alguma doze de confiança desta instituição, em relação ao nosso Executivo, sobretudo por conta da postura corajosa do seu chefe, que se mostra disposto a governar melhor que o seu antecessor e de travar o modus operandi dos “maribondos”. Porém, não obstante a isso, importa que tenhamos presente que a nossa trajectória económica, até há um ano, carregava a corrupção, nepotismo e de acumulação primitiva de capitais, pois não ajudava em nada, mas nos colocou numa posição vulnerável e de descrédito. E, portanto, penso que tenha influenciado a negociação…Face a tudo isso, devemos esfregar as mãos de contente, pelo montante aprovado e pela presença a Angola, da directora-geral do FMI, Christine Lagarde, na medida em que tais cenários são capazes de imediatamente ajudar a melhorar a nossa imagem lá fora, fundamentalmente, nas hostis dos outros parceiros, dos quais credores internacionais. As outras tranches que faltam, para preencher os 3,7 mil milhões aprovados, condicionadas pelo nível de eficiência, daqui para frente, do desempenho económico do Executivo, poderão se seguir, nos próximos anos. Daí advogar que FMI, neste quesito, tem alguma reserva e é bastante cauteloso, rigoroso e está engajado em tudo fazer para que a sustentabilidade da divida, quer para si, quer para o tomador, não estejam em causa. A vinda de Christine Lagarde a Angola e essencialmente a entrevista por ela concedidaao Jornal de Angola serviram também, não somente para se afastar o receio que pairava internamente em relação à organização que dirige - onde se pensava que impunha outras medidas áusteras severas, como por exemplo, a subida dos preços dos combustíveis, mas, para consolidar a ideia segundo a qual, não cabe ao FMI traçar planos ou programa para Angola, o Fundo apenas se limita a apoiar as propostas contidas no programa do Governo, apenas revê, modela, audita, sugere e aconselha por via da“Assistência Técnica”. Vulgo, as autoridades locais são soberanas e elas que tomam as decisões.
Ao pronunciar-se em relação à sustentabilidade da nossa dívida pública, a directora-geral alertou a necessidadede de o país não estar sobrecarregado de dívidas e melhorarar a disciplina fiscal, que passa um pouco por atrair mais investidores.
O que é de fundamental importância é a liderança: “Se tivermos um Presidente e um Governo que estejam determinados a eliminar o esbanjamento, reduzir as fugas e a preencher os “buracos”, as coisas em geral funcionam melhor…”,
advogou Christine Lagarde.