Opinião

Seguros e a economia

Com o renascimento e a expansão marítima da época do mercantilismo, a cobertura aos riscos ganhou nova importância.

Com o renascimento e a expansão marítima da época do mercantilismo, a cobertura aos riscos ganhou nova importância. Tornaram-se comuns operações chamadas de Contrato de Dinheiro e Risco Marítimo que consistia num empréstimo dado a um navegador e que previa uma cobrança maior no caso de sucesso da viagem e o perdão da dívida se a embarcação e a carga fossem perdidas. Foi em virtude dos seguros marítimos que se desenvolveu a gestão de risco na maior parte do mundo. As primeiras grandes navegações foram realizadas entre os séculos XV e XVI. Os grandes iniciantes e pioneiros na expansão marítima desde sempre foram os portugueses e os espanhóis, mais tarde, seguiram-se os holandeses, ingleses e franceses.
A preocupação com o risco e a segurança das mercadorias, assim como o ressarcimento em caso de perda total ou parcial dos seus haveres (bens), deram origem a procedimentos que visavam conferir continuidade ao negócio dos navegadores e comerciantes, sendo que estas formas pitorescas e de extrema importância para garantir a segurança das mercadorias que circulavam via terrestre e marítima.
Naquela época, o seguro ainda inspirava dúvidas com relação à integridade das “seguradoras” – que na verdade eram pessoas que assumiam os riscos. Estas pessoas assumiam as responsabilidades como se de instituições se tratassem, mas tarde isto veio a evoluir em função das exigências do mercado e da actividade, bem como a necessidade de dar maior credibilidade e especialização aos trabalhadores.
O seguro foi criando força e conquistando credibilidade, e foi em Génova, por volta de 1347, que o primeiro contrato de seguros foi escrito. Continha inúmeras cláusulas que garantiam ou isentavam os seguradores de pagarem as indemnizações. As primeiras apólices são datadas de 11/07/1385 (Pisa/ Itália) e 10/07/1397 (Florença/ Itália). As apólices tornavam-se comuns no final do século XIV. No século XVII, o mercado de seguros expandiu-se e ganhou novos produtos de cobertura terrestre, especialmente em decorrência do Grande Incêndio de Londres de 1666, que destruiu cerca de 25 por cento da cidade.
Com a Revolução Industrial, o seguro acabou por tornar-se num item praticamente obrigatório do ponto de vista de consciência de cada cidadão e para o Estado, constitui-se em obrigatoriedade àqueles que mais afectavam o dia-a-dia da vida do cidadão e que acarretavam consequências indemnizatórias muito avultadas ao estado. Os seguros são transversais a todas as áreas da actividade humana, afinal, os avanços tecnológicos, as actividades de alto risco e os novos meios de transportes podem causar prejuízos de proporções incalculáveis.
Todo esse crescimento da indústria, do comércio e dos meios de transporte, fez com que as empresas seguradoras também evoluíssem para acompanhar a demanda do mercado. Hoje, existem seguradoras que controlam vultosos valores, contribuindo com a sociedade na geração de empregos e com projectos de responsabilidade social.
Os seguros constituem-se em um segmento do mercado que agrega valor ao Estado e diminui a carga de responsabilidades financeiras em muitos sectores, passando esta para o privado.
Ao Executivo angolano deixamos o nosso apelo no sentido de cada vez mais continuar a apoiar este sector que joga um papel fundamental para economia, às empresas e para as famílias, pois jogam um papel de renovação e reposição do investimento em caso de perda ou ocorrência de um
infortúnio no decorrer do negócio.
Aos trabalhadores que constituem o principal instrumento para a consolidação e efectivação da acção para o desenvolvimento da actividade, desejamos contínuo e maior entrega e profissionalismo, visando dar respostas pontuais às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e inovador. Não podemos deixar de dar uma particular atenção aos agentes económicos, tais como os correctores sobre a importância da actividade seguradora. Apelamos a terem coragem na missão e visão que se propõe mais virada para o cliente, visando salvaguardar os interesses à luz dos objectivos traçados, quer sejam organizacionais, quer individuais. O mês de Agosto, em geral, e em particular o Dia 05, é comemorado em Angola como Dia Nacional dos Seguros. Bem haja.