Opinião

Risco sistémico na banca

O risco sistémico é um indicador muito importante na banca que os gestores deste ramo deveriam ter em conta, sendo o risco sistémico corresponder ao impacto sobre o nível da actividade económica global, gerado por um choque inicial, que se propaga ao longo das relações existentes entre os agentes económicos.

O risco sistémico decorre directamente da natureza da exposição bancária aos activos e passivos bancários, e da credibilidade ou nível de confiança que as instituições financeiras reúnem junto dos seus clientes.
Pelos profundos efeito negativos que um evento sistémico pode ter sobre a actividade económica e sobre o emprego, é natural que os bancos e os reguladores se preocupem com medidas que mitiguem o risco sistémico. Ao nível individual, os bancos podem reduzir o risco sistémico através da adopção de políticas de gestão de riscos que mitiguem a incidência de fenómenos susceptíveis de criar choques com potencial de contágio através do sistema financeiro.
Como é sabido no desempenho das funções de intermediação financeira, a composição dos activos dosbancos é impenetrável para os depositantes, principal fonte de fundos da actividade bancária. Aliás, na génese da intermediação financeira, os bancos desempenham uma função de gestão e mitigação de riscos para os investidores, sendo capazes de lhe proporcionar melhores opções de investimento que a alternativa de escolha individual. Para além da função de depósito, os bancos proporcionam aos depositantes um contrato de gestão de risco de liquidez materializada, na possibilidade de mobilizar as contas de depósitos à ordem a qualquer momento e pelo valor nominal, para fazer face a pagamentos decorrentes do consumo de um contrato de gestão de risco de crédito na medida em que imunizam o valor do contrato de depósito face a eventos de incumprimento específicos, desde que os mesmos não assumam natureza sistémica que é inevitável.
Naturalmente, não é um risco exclusivo do sector financeiro, mas pela rapidez com que o sistema financeiro é capaz de o propagar, torna-se particularmente relevante para as instituições financeiras saberem analisar. Assim, quando aplicado ao sector financeiro, o risco sistémico, corresponde à possibilidade de qualquer instituição entrar em colapso do sistema financeiro como um todo, ou de um determinado mercado em particular. Teoricamente, o risco sistémico representa uma externalidade negativa, na medida em que corresponde à perda global de actividade decorrente de uma sequência de efeitos negativos em series. Tendo uma definição de uma instabilidade potencialmente catastrófica, originada em eventos peculiares que afectam as instituições financeiras.
Se um banco por insuficiência de liquidez não for capaz de honrar o compromisso de pagamento a uma determinada contraparte ou melhor ao seu cliente, pode suscitar incumprimento subsequente, na medida em que esta não pode, por sua vez, honrar as suas próprias responsabilidades. Os efeitos podem continuar a distribuir-se até que uma instituição nesta sequência tenha reserva de fundo suficiente capaz de interromper a cadeia de contágio.
Esta proposta de valor para os clientes decorre da existência de economias de escala e de gama nas várias dimensões do negócio. No que concerne à função de meio de pagamento, os bancos proporcionam aos depositantes a satisfação das suas necessidades em condições de custo mais vantajosas que outras opções. No caso, o contrato de depósito à ordempermite ao cliente uma alternativa à utilização de notas e moedas, sem qualquer custo de armazenamento, com comodidade de transporte e protecção face a roubo. Ao mesmo tempo, ao agregar poupanças fraccionadas e dispersas por uma multiplicidade de depositantes, abre às empresas a possibilidade de uma única fonte de financiamento com os custos operacionais que estão associados a uma pesquisa de mercado alternativa.
Nesta perspectiva, o contágio propaga-se por via do sistema de pagamentos, através de um Canal real, de relações contratuais efectivas entre os agentes económicos, entre as instituições financeiras e entre estas e o sector não financeiro, situação última em que os efeitos extravasam para a actividade económica real.
Entretanto, o contágio pode distribuir-se, ainda, por via informal, na medida em quepodem conduzir à suspensão de relações contratuais, simplesmente porque os agentes económicos deixam de confiar nas contrapartes. Imagina-se que, os depositantes dasInstituições financeiras, receosos de uma situação de incumprimento, decidem retirar os seus depósitos dos bancos, agudizando as dificuldades de tesouraria e ameaçando conduzir o sistema financeiro ao colapso.