Opinião

Reservas líquidas

Em linhas gerais, reservas é aquilo que é preservada, para no fundo, responder aos desafios futuros. Contudo, as reservas internacionais líquidas estão associadas às moedas internacionais de que a autoridade monetária de um dado país, normalmente o Banco Central, dispõe, deposita no estrangeiro e gere.

Em linhas gerais, reservas é aquilo que é preservada, para no fundo, responder aos desafios futuros. Contudo, as reservas internacionais líquidas estão associadas às moedas internacionais de que a autoridade monetária de um dado país, normalmente o Banco Central, dispõe, deposita no estrangeiro e gere. Grosso modo, elas são compostas por euros e dólares norte-americanos, por estas serem de facto, os meios monetários mais influentes e transaccionáveis universalmente. Daí, permitirem a realização de aquisições e importações de bens e serviços de vária ordem, a partir daqui ou mesmo de fora, além de servirem para a liquidação dos passivos públicos. Por isso, sobretudo, é que o nível de sanidade destas reservas, por regra, condiciona a capacidade de adimplência e de solvabilidade dos países e paralelamente impactana confiança dos agentes internacionais no seu todo e dos credores fundamentalmente em relação ao país mutuatário no caso.
As reservas internacionais líquidas, também conhecidas por reserva cambial, é um indicador macroeconómico, que nos permite igualmente aferir sobre a saúde da balança de pagamentos e do sistema financeiro interno dos países. Basta nos termos ao que ocorre entre nós:Ao caírem as receitas petrolíferas, a nossa balança de pagamentos, que já não era famosa, ressentiu negativamente, levando a reboque menos divisas disponíveis aos bancos comerciais, tornando estes, incapazes de satisfazer cabalmente as empresas e as famílias, que em abono da verdade, precisam de cambiais para importarem e sobreviverem.Resultado: as nossas reservas conheceram menos motivos de crescimento e de estabilidade.Logo, provavelmente seja motivo sublime da entrada em campo dos planos de contingência por parte dos diversos “playes”. É que, irremediavelmente são –ou devem ser – postas de lado as margens para errar. Todavia, aquelas organizações resilientes e que não sucumbiram, tiveram de reajustar e inovar os seus investimentos e carteiras de negócios, onde a dispensa de mão-de-obra, infelizmente foi tida em conta em alguns casos; do lado das famílias, a solução passou por desengordurar as suas economias e ouorçamentos domésticos, ao passo que o nosso Banco Central vem encetando medidas, à guisa de exemplo,de política monetária restritiva, empurrando para baixo a massa monetária no mercado,com vista a aquecer o valor do nosso kwanza que, por sinal, vai dando já o ar da sua graça, ainda que num ritmo bastante modesto.
Sendo certo que as reservas internacionais líquidas são em síntese o resultante das receitas que um dado país arrecada do estrangeiro,menos as suas obrigações e importações, pois elas devem crescer, ser significantes e ou no mínimo sustentáveis, tal como se deduz nas entrelinhas da presente peça, para contudo, cumprir com as tarefas económicas que se lhes reservam, que são ajudar a reduzir as prováveis volatilidadesnos preços dos bens e serviços no mercado interno e as demais incertezas naeconomia, além de servir de amortecedor dos impactosnegativos, consequentes dos choques que possam vir lá de fora.
Agora, olhemos um pouco pelos nossos números: no final do ano transacto, o valor das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) situava-se em 20,8 mil milhões de dólares, decaindo no primeiro mês do corrente ano, para os 19,6 mil milhões, tendo recuperado ligeiramente em Março, fixando-se nos 20,89 mil milhões. A cifra foi superior àquela registada no fim de 2016.Em 2013,a julgar pelos crescimentos económicos que o país conheceu, desde pouco mais do alcance da paz, em 2002, a reserva experimentou um “boom”, pois situara nos 31 mil milhões de dólares, sendo que, desde aí, por conta essencialmente da crise e da redução das receitas petrolíferas, as quedas foram se acentuando.De 2013 para 2014, diminuíram 4,47 mil milhões, de 2014 para 2015, a cifra diminuiu na ordem dos 3,32 mil milhões, enquanto de 2015 para 2016, o despique foi de aproximadamente 3,46 mil milhões de dólares.
De resto, prevê-se que as nossas reservas ao longo de 2017 manter-se-ámódico. É sinal claro que teremos pela frente desafios enormíssimos!E que venha o próximo Executivo!