Opinião

Renda e consumo das famílias

Os primórdios da teoria do consumo da abordagem convencional da economia remontam à corrente marginalista do século XIX, que concebe o ser humano como um agente maximizador de utilidade.

Os primórdios da teoria do consumo da abordagem convencional da economia remontam à corrente marginalista do século XIX, que concebe o ser humano como um agente maximizador de utilidade. Para determinados gostos ou preferências, renda e preços dos bens, o problema que se coloca ao consumidorprende-se à composição da cesta de bens que maximiza o bem-estar individual.
Este dilema de decisão não se distingue de outros problemas económicos, nomeadamente, das decisões dos produtores que, de igual modo, para uma dada dotação orçamental, um dado nível de tecnologia, determinados preços das matérias primas e produtos finais, procuram escolher o nível de produção que lhes permite maximizar o lucro.
Por definição, um contexto de recessão económica sustenta-se no declínio da actividade económica por um indeterminado período de tempo, que experimenta o enfraquecimento da sua pujança económica; admitindo o declínio do nível de produção, aumento do desemprego, redução dos investimentos e da renda das famílias.
Assim, na crise, a natureza da curva da procura das famílias tende, obviamente, a alterar: (i)os padrões de comportamento no acto da compra modificam-se em relação a períodos de prosperidade; (ii) as estratégias, comumente utilizadas em períodos de crise, passam pela substituição dos produtos; (iii) a possibilidade de “discussão dos preços”nos mercados aumentam;(iv)o aumento de consumo de produtos industrializados e ou/processados por empresas não certificadas;(v) a redução de consumo de produtos importados e (vi) o aumento da tendência à recorrência a mercados informais.
A teoria da oferta e procura considera, objectivamente, que a procura do mercado é inversamente proporcional à variação dos preços. Se a alteração do comportamento do consumidor deriva do novo contexto, o efeito ilusão monetária, também, pode influenciar, igualmente, tal atitude, uma vez que, embora a renda permaneça constante, ela perdeu valor ao longo do tempo.
Deste modo, o efeito renda consiste na alteração de poder aquisitivo, quando os preços variam no mercado. Sendo assim, seria como se o consumidor passasse a ganhar menos, pois, com a alta dos preços (inflação), o valor do seu dinheiro passa a ser menor, condicionando o consumo.
A variável consumo das famílias, em outras geografias, tem despontado como a maior componente do produto interno bruto (PIB), com o diferencial que mais da metade da produção dos bens consumidos é produzida internamente, factor que influência o reinvestimento, a diversificação da economia, geração de mais empregos e, consequentemente, o aumento da renda das famílias e estabilização do mercado, ao invés da exportação de renda e potencialização de outras economias. Produzir, internamente, o que se consome, parece ser, ainda, a medida mais acertada para amenizar a demanda por importações de bens e serviços e exportações de divisas.
Os estudos indicam ainda que a ausência de renda impõe um consumo deficitário às famílias, com o excesso de calorias e gorduras saturadas, uma dieta deficitária de frutos, hortícolas e leguminosas secas e recurso excessivo aos grupos alimentares como carnes processadas e gorduras.
Considerando as estatísticas pouco generosas sobre a pobreza monetária em Angola, torna-se difícil vislumbrar uma melhoria substancial a curto-prazo, situação que representa um risco elevado para a saúde pública, onerando,ainda mais, de forma contundente, os gastos do Governo com a saúde.
Efectivamente, a resolução de parte deste desiderato passa, indubitavelmente, por um novo olhar às políticas públicas de redução da pobreza e reposição do consumo das famílias, por meio da renda, consubstanciadas, por um lado, nas actualizações dos salários em face da inflação acumulada.
A busca de soluções poderá passar pela adaptação do comportamento institucional que responde pela regulamentação de certos sectores da economia. Por exemplo, qual é o impacto das“cantinas” no emprego em Angola, considerando a sua representatividade no país? De quem são e quem são os seus funcionários?O que se paga em termos de salário e qual a natureza do contrato laboral? Parecem ser questões triviais, porém,o combate à pobreza e o acesso ao consumo derivam, também, das actividades que, muitas vezes,são caracterizadas como informais.
Por conseguinte, além do fomento à renda, oriunda de políticas macroeconómicas bem conseguidas, é importante monitorar o impacto das actividades resi