Opinião

Políticas económicas

A inspiração do presente artigo resulta das observações feitas por Abílio Dinis, sobre a realidade do Brasil. Um dos questionamentos básicos do crescimento económico.

A inspiração do presente artigo resulta das observações feitas por Abílio Dinis, sobre a realidade do Brasil. Um dos questionamentos básicos do crescimento económico é: por quê alguns países ou grupos de países crescem mais rápido em relação a outros? As Ciências Económicas respondem, claramente, indicando diversos factores determinantes pelo gap existente no desempenho económico entre as Nações, sendo que, além do tamanho territorial, se afigura como importante a tecnologia e o “know-how” como elementos cruciais. Diariamente, é comum vermos um exército de pessoas a reclamarem do governo. Não negamos existirem motivos para descontentamento. Muita coisa poderia ter sido feita de maneira diferente, e os angolanos sentir-se-iam mais realizados, mas devemos nos questionar se estamos a fazer aquilo que depende apenas de nós, ou seja, se tomamos alguma iniciativa para mudarmos o contexto em que nos encontramos. Cada um com o seu conhecimento, na sua profissão, comunidade, empresa, independentemente, de qual for a sua condição social tem a obrigação de contribuir para um crescimento sustentável do país. Como? A melhor maneira de ajudarmos o país a crescer é trabalhando. O trabalho não precisa de ser, necessariamente, uma actividade com raízes na função pública, como fomos ensinados a pensar. Devemos deixar de lado a ideia de que só o Estado continuará a ser o garante do “bem-estar social”. Podemos e devemos buscar outras alternativas, sendo um dos caminhos a aposta no empreendedorismo. A ideia de que os melhores negócios são o petróleo e o diamante deve ser expelida tal e qual expulsamos o demónio em nossas orações, porque é um pressuposto que nos acomoda e nos deixa totalmente alheios à criatividade e inovação. Angola ainda não é um Dubai, onde os nacionais relaxam e os estrangeiros trabalham! Precisamos de transformar os sonhos, as ideias, o conhecimento, a arte em fontes de renda. Cada um com o seu talento estará a ajudar o país a crescer. O caminho para o desenvolvimento é o aumento da produtividade média de cada um, com mais educação, mais gestão, mais investimento e capacitação. Por exemplo, a internet é um dos recursos que nos oferece inúmeras vantagens, pois podemos aproveitá-la para alimentar e estruturar as nossas ideias, os nossos sonhos! Existem muitos cursos profissionais gratuitos nas mais diversas aréas de conhecimento. E a partir deles, conseguiremos realizar os nossos projectos, criar ideias, network, renda e bem-estar. Parece ser um recado para um aventureiro em empreendedorismo, mas também pode ser para o governo, no sentido de fomentar as novas tecnologias nas áreas mais recônditas do país. Enquanto cidadão, qual foi a sua contribuição no Produto Interno Bruto em 2017? Olhemos na óptica da renda: você recebeu salários, foram-lhe deduzidos os impostos? Arrendou a casa, pagou as obrigações na repartição fiscal? Vendeu o carro, pagou o devido imposto? Efectuou poupança, mas fê-lo num banco em Angola ou no estrangeiro? Viajou a passeio, mas isso aconteceu, na Europa ou em Angola? Algumas dessas coisas poderão não ser feitas no seu país, mas é importante saber que quando os gastos ou poupança são feitos em território nacional têm um efeito multiplicador na economia local. Há correntes económicas que defendem a possibilidade de crescermos por via do aumento do emprego e do consumo interno, mas outras defendem que o caminho é o aumento da produtividade, sobretudo, a produtividade média de cada trabalhador. No entanto, o aumento de produtividade pressupõe investimento na educação, formação e novas formas de produção.
É preciso sermos ousados e sairmos da capa do conservadorismo económico que algumas vezes procuramos justificar com as opções históricas anteriormente feitas. Hoje, precisamos de um referencial de país pobre, mas que conseguiu vencer a miséria: Singapura! Antes com um histórico tenebroso de pobreza e corrupção tornou-se em pouco mais de duas gerações, conhecido pela pujança económica, sendo avaliada como o país com o maior número de empresas familiares em todo o mundo. Se antes era conhecido como Estado Babá, fruto da opção política, posteriormente, criaram-se mecanismos eficazes para o desabrochar da economia, onde cada cidadão desempenhou, e continua a desempenhar, um papel crucial. Portanto, o Governo tem um papel fundamental para o aumento da produtividade. Podemos criticá-lo e devemos cobrá-lo nesse sentido, mas também precisamos de olhar para dentro de nós e avaliarmos se o que andamos a fazer é digno de um patriota. Na vida, “o fazer traz muito mais benéficios do que criticar e não fazer nada”. A corrida pela produtividade já começou, e quem sair à frente terá mais chance de chegar ao sucesso.