Opinião

Poder de compra

Os decisores têm enfatizado a necessidade de se salvaguardar a qualidade da despesa
e dos investimentos públicos

Este título faz parte do leque de questões que de certeza todo o angolano augura ver acelerada na nossa economia e, por isso mesmo, também consta na agenda das prioridades macroeconómicas do Executivo. É que o poder de compra das famílias angolanas tornou–se bastante desequilibrado. Logo, com uma dada soma de kwanzas, agora se adquire menos produtos e serviços, constituindo-se em “calcanhar de aquilles”, para a prosperidade das famílias fundamentalmente, daí que estes são chamados a adiar recorrentemente os seus projectos e a ajustar as suas despesas, cenário que, entretanto,tem sido menos-valia, até mesmo para as instituições financeiras, que vão absorvendo dos correntistas menos poupança para emprestar a quem queira investir. Para empurrar a inflação da economia angolana a um nível normal ou desejável, há quem advogue a necessidade de as organizações ajustarem os salários dos empregados, na mesma proporção da taxa de inflação ou que se proceda à revisão do salário mínimo nacional, podendo levá-lo a pelo menos 50 mil kwanzas. Outros chegam a avançar a necessidade de se intensificar os tectos/limites nos preços dos bens e serviços e mais controlo destes junto das superfícies, quer paralelas, quer formais, ao passo que uns defendem que encurtar alguns custos dos investidores pelo menos aqueles que actuam em sectores-chave para a diversificação da nossa economia - com os serviços alfandegários, também irá desinflacionar o mercado.Todavia, estas estratégias apontadas são periféricas, de ganhos apenas pontuais e por vezes aparentes. Note que os mercados são dinâmicos e sujeitos a choques estrangeiros e com prováveis ciclos viciosos e incertezas, daí que no nosso contexto, por exemplo, os instrumentos desinflacionistas deverão estar imbuídos de transversalidade,proactividade e de sustentabilidade. A petrodependência e o custo em alta da produção nacional ainda são um facto que, desde então, tem vindo a condicionar negativamente o empoderamento do kwanza. Contudo, para o “volte-face”, o Governo tem pelo menos vindo a dar sinais de pretender desanimar a subida de preços. Verifica-se a adopção pelo BNA,da política monetária restritiva, alicerçada em altas taxas de juro e do coeficiente de reserva obrigatória dos bancos comerciais, tendo recentemente situado a taxa do BNA em 16 por cento. O Banco Central tem injectado euros ao mercado financeiro e produtivo, muita das vezes, em substituição do dólar norte-americano, para ajudar a desaquecer a procura por esta divisa. Os decisores têm enfatizado a necessidade de se salvaguardar a qualidade da despesa e dos investimentos públicos.Têm-se recorrido ao endividamento externo para financiar essencialmente os sectores-chave e prioritários para a promoção da diversificação.Há uma vontade expressa de se prover mais proteccionismo à política cambial, tendo o BNA procedido à revisão dos limites e procedimentos de controlo de entrada e saída de moeda nacional e estrangeira, com o sentido de garantir a contínua prevenção e combate ao branqueamento de capitais, bem como assegurar a gestão equilibrada das disponibilidades do país, em moeda estrangeira.Por outra, a massa monetária (M2) caiu 1,65 por cento em Janeiro do corrente em comparação ao mês de Fevereiro. Já a taxa de inflação posicionou-se em 39,45 por cento em Fevereiro do corrente ano, contra os 40,39 por cento verificados em Janeiro de 2017, sendo que, nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro do ano findo, a inflação esteve em 40,04 por cento 41,15 por cento e 41,95 pontos percentuais, respectivamente. Constata-se ainda um nível alto de procura de divisas, essencialmente, devido à necessidade de importação de matérias-primas e subsidiária, sentidas pelos agentes económicos. Os dados mais recentes dão conta que houve uma redução das Reservas Internacionais Líquidas RIL em 5,09 por cento de Dezembro a Janeiro de 2017 e 16 por cento em termos homólogos – Fevereiro/2016 a Fevereiro/2017 -, fixando-se em 20,31 mil milhões de dólares.
Andrade A. Ambrósio /técnico superior de Administração e Gestão