Opinião

Ou agora, ou nunca!

“Tudo que tem um começo tem um fim porque é assim a dialéctica da vida”, foi uma das últimas afirmações do Presidente José Eduardo dos Santos.

“Tudo que tem um começo tem um fim porque é assim a dialéctica da vida”, foi uma das últimas afirmações do Presidente José Eduardo dos Santos.
Esta passagem é aqui chamada para não só falar da saída de alguns governadores, mas lembrar que começa um novo ciclo para seis das dezoito províncias: Bié, Cunene, Huambo, Huíla, Lunda Sul e Zaire.
O que representam estas mudanças? De uma maneira geral, julgamos, para imprimir maior dinâmica no atendimento às questões províncias no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022.
O PND, sendo o principal instrumento do Executivo virado na promoção do desenvolvimento socioeconómico, vincula as províncias e os governos locais que são responsabilizados em darem respostas aos desafios nacionais.
E quais são os desafios nacionais até 2022? Refere o plano, para este período, projecta-se uma gradual aceleração do crescimento económico que deverá registar um desempenho médio real de 3%, associada a uma aceleração do crescimento do sector não petrolífero, nomeadamente, no sector da agricultura, pescas, indústria transformadora, construção e dos serviços (incluindo o turismo) e a uma redução da importação do produto petrolífero.
Entretanto, a dimensão estratégica do PND está expressa em seis eixos que esclarecem as suas prioridades gerais e que devem constituir a estratégia a seguir.
Entre estas orientações, a primeira é considerada de dimensão central de todo o plano, na medida em que a melhoria do bem-estar dos cidadãos e da qualidade de vida das famílias, a redução da pobreza e das desigualdades e a promoção do nível de desenvolvimento humano são condições essenciais para o progresso económico. Fala igualmente do desafio ligado à geração de oportunidades de emprego.
É óbvio que se quer um país que caminhe rapidamente e chegue a estabilidade. As pessoas estão com pressa e esperam por resoluções urgentes. Tal só se consegue com governantes que estejam “de coração” para dar o melhor de se a causa comum.Entre estas, alimentação a baixo custo, expansão do transporte público, fornecimento de “água para todos”. De forma geral, geração de riqueza que proporcione qualidade de vida.
Uma governação tem de ter presente esta responsabilidade social. Os novos governadores, nesta nova fase do ambiente socioeconómico, devem constituir num bom exemplo de liderança. Num modelo diferente e contagiante. Que saibam governar atendendo as necessidades dos liderados. E que saibam justificar a confiança depositada.
A questão do emprego é crucial e as metas traçadas até 2022, espera-se que sejam alcançadas. Aliás, como defendeu o economista Galvão Branco numa entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, na sua edição de 31 de Agosto último, tem que se repriorizar a questão do tratamento da desigualdade social de forma que o rácio entre a riqueza existente e os rendimentos, não seja tão acentuado e discriminatório, de forma a que a estabilidade social possa ser preservada.
Pois, sustentou, não podemos viver na tranquilidade e indiferença quando existem no nosso país cerca de 8 milhões de angolanos ainda a viverem em situação de extrema pobreza.
Por incrível que pareça, esta é a verdade nua e crua e que cabe aos governos provinciais ajudarem a corrir o quadro de situação para o bem de todos. Sejamos cada vez mais rigorosos no tratamento das soluções aos problemas que mais afectam a Nação. Não é pedir muito. É obrigação de quem exerce cargo público.