Opinião

Natal... alegria voltou

Está a chegar o Natal, data consagrada à reunião da família. Data consagrada também ao amor, amizade, solidariedade e fraternidade.

Está a chegar o Natal, data consagrada à reunião da família. Data consagrada também ao amor, amizade, solidariedade e fraternidade. Não importa um certo pessimismo patente em algumas pessoas, por força da gritante crise que o país vive e que se vai reflectindo nas rendas e capacidade aquisitiva de algumas famílias. O Natal está às portas e vai mesmo ser comemorado. Não com o ênfase de outras ocasiões é verdade, mas com o mesmo sentimento, alegria e convicção de que outros natais virão e efusivamente vividos serão. As famílias se reunirão à volta de uma mesma mesa! porque está a chegar o Natal.
As casas se encherão de artigos decorativos e apelativos do nascimento de Cristo! Porque está a chegar o Natal.
O comércio se tornará fervoroso ! Porque está a chegar o Natal.
A corrida às lojas e mercado informal tomará o lugar da tristeza e incertezas provocadas pelo salário que tardou a chegar. É hora de correr na busca pelos mantimentos necessários e possíveis pois afinal o salário já caiu.
Não importa se à mesa não houver os habituais e tradicionais mimos. Não importa se as ruas e avenidas não estiverem engalanadas como de costume com imponentes árvores de natal e todo um conjunto de acessórios próprios da época natalícia.
Não importa a ausência do companheiro Cabaz que durante longos anos nos brindou com a sua sempre apetecível, necessária e agradável presença.
Interessa sim o espírito natalício que nos fortalece e nos projecta para voos maiores e futuros natais melhores. Porque não fazer dos quitutes da banda, substitutos a altura dos habituais manjares? A nossa quitaba, quifufutila, doces de ginguba e de coco e paracuca vão sim senhor garantir a satisfação e degustação ansiada. Porque não substituir mesmo o habitual cozido de bacalhau por uma boa funjada de peixe seco ou bagre fumado? Porque não deixar de olhar para o requinte e prestar atenção sim à satisfação e prazer?
Ao contrário de outros anos, as nossas estradas não registarão o habitual movimento de viaturas de uma para outra localidade dessa grande e linda Angola, na busca do sempre apetecível abraço caloroso do parente distante. O Huambo poderá não se juntar a Luanda e o Cuando Cubango ao Moxico. As famílias distantes poderão não se reunir à volta da mesma mesa, mas com certeza mesmo separadas por incontáveis quilómetros, o espírito paternal fará morada e a família ainda assim exercerá a sua função e cumprirá o seu papel.
É tempo de nos amarmos mais, de nos compreendermos mais, de nos ajudarmos mais, enfim de sermos mais nós. '
É hora de esquecer velhas mágoas. De estender a mão e dizer: Somos irmãos.
É hora de acreditar que juntos somos mais fortes e que unidos venceremos a crise.
Com a humildade, solidariedade e espírito acolhedor e solidário que nos caracteriza, vamos sim senhor mostrar alegria, porque afinal está a chegar o Natal.
Aos petizes, havidos por ver realizado o desejo de receber aquele brinquedo sonhado.
Aos parceiros que durante o ano alimentaram a esperança da contemplação com o bem ou produto eleito. A nós mesmos que muitas vezes nos auto-oferecemos um brinde pela simples necessidade de nos sentirmos também lembrados, ainda que por nós mesmos.Aos vizinhos e amigos que provavelmente não mais terão a coragem de bater a porta e dizer”vim buscar as boas festas”.
Que a todos esses, o espírito natalício se sobreponha a natural ânsia por presentes hoje quase impossíveis de atender.
O natal está a chegar e a alegria voltou. Cantemos, dancemos e gritemos mesmo com todas as forças, numa clara demonstração de que somos felizes.
O amor tem que dar lugar ao ódio.
A alegria deverá substituir a tristeza.
A frustração será derrotada pelos sonhos e a certeza de dias e anos melhores farão morada em cada um de nós.
A final!
Está a chegar o Natal.