Opinião

Independência económica

Os países que conseguiram com sucesso a sua independência económica levaram, no mínimo, mais de três décadas.

Colonizados, estávamos condicionados em todos sentidos das nossas vidas, as prioridades eram por eles (os colonos) estabelecidas as benesses eram sempre para eles e para os nós, os donos da terra, apenas as migalhas de um crescimento opaco e sem perspetiva de desenvolvimento e autonomia económica e financeira, pois este estado de coisas era para se manter, pois este foi o modelo de crescimento que nos estrava pré-destinado.
É importante relembrar a nossa Independência, nesta fase delicada da nossa existência económica porque precisamos de saber de onde viemos e o que tivemos de fazer para hoje podermos ter as rédeas do nosso destino, hoje escolhemos onde e como investir, que sectores priorizar, que políticas implementar, podemos não acertar sempre mas, acredite meu caro leitor, sabe muito bem ter este o poder.
A nossa economia precisa também de ser independente.
África está condenada a ser ineficiente relativamente aos outros continentes e, portanto, não deverá produzir (pois ficará mais caro e com menos qualidade), por conseguinte comprará tudo dos outros, ficará dependente, não criará empregos, não crescerá e por fim tornar-se-á um espaço
economicamente colonizado.
Angola tem a obrigação de ser “autlaier” desta amostra, temos as condições estruturais para tal, estabilizamo-nos politicamente, estamos a fortalecer as nossas instituições, estamos a melhorar a fiabilidade do nosso sistema financeiro e por fim, mas o mais importante, estamos a ganhar uma mão-de-obra capaz de segurar e assegurar os investimentos públicos e privados.
Precisamos de ter noção clara da importância do papel do investimento privado para criar empregos. Precisamos aceitar o facto de que o Estado não deverá ter este papel, pois devemos apagar a ideia de que quando se sai da faculdade o único emprego válido é na administração estatal, principalmente temos que ter noção que para enriquecer devemos criar o negócio próprio ao invés de ir para o Estado que tornar-nos-á apenas servidores públicos.
A estratégia é simples no papel, mas de difícil execução. Por esta razão, os países que conseguiram com sucesso a sua independência económica levaram, no mínimo mais de três décadas. O Estado faz o seu papel, cria e faz cumprir as leis e dispõe de condições para que os negócios privados surjam e se mantenham com custos competitivos relativamente aos concorrentes externos e haja condições objetivas para recuperação dos investimentos e repatriamento (no caso de investidores externos) dos ganhos.
Os agentes privados nacionais e estrangeiros, com as suas ideias transformadas em projetos, recorrem ao sistema financeiro interno e externo para financiar os seus projetos. Estes projectos convertem-se em investimentos e criam empregos, rendimento tributável e acumulação de riqueza para aqueles que partilharam o risco na fase do investimento.
A partir do momento em que o trabalhador consegue satisfazer as suas necessidades, o investidor observa o retorno do seu investimento e o Estado aumenta a arrecadação fiscal, há condições para prosperidade social do país.
Precisamos objectivamente de produzir regularmente e com qualidade para cobrir a procura interna, de modo a que não evitemos de importar (assim cortamos a saída bruta de divisas) o que for vantajoso produzir no país.
Necessitamos, por outro lado, sendo nós competitivos, de produzir para exportar para que entrem as divisas que precisamos para acumular as reservas nacionais líquidas, bem como para importar aquilo que não será produzido internamente, pois desenganemo-nos se pensarmos que iremos
produzir tudo ou importar nada.
Há que transcorrer uma estratégia de investimentos (públicos e privados) integrado para que a cadeia produtiva se complete, pois o agricultor deverá obter no país os fertilizantes de que precisa, o construtor civil deverá obter no país o material que precisa, ou seja, os bens e serviços devem ser complementares para que o bem final seja 100 por cento nacional, pois só assim os empregos serão criados em Angola e as boas externalidades dos investimentos sejam sentidas no país.
Então o angolano tem uma missão tripartida, ajudar o Estado a governar corretamente, ser proactivo e ter ideias financiáveis e por fim assegurar que o seu núcleo familiar seja forte e coeso porque grandes nações fazem-se com famílias estruturadas.
Rui Malaquias economista e docente universitário