Opinião

Fazer turismo em Angola

O título foi inspirado de um site sobre o turismo na Cidade do Cabo. É comum ver alguma intensidade de movimento de pessoas no aeroporto de Luanda a caminho de cidades sul-africanas, em feriados prolongados, como o que se viveu agora com o carnaval e o dia internacional da mulher, a comemorar-se hoje.

O título foi inspirado de um site sobre o turismo na Cidade do Cabo. É comum ver alguma intensidade de movimento de pessoas no aeroporto de Luanda a caminho de cidades sul-africanas, em feriados prolongados, como o que se viveu agora com o carnaval e o dia internacional da mulher, a comemorar-se hoje.
A impressão é que Luanda acaba por ficar vazia. Pior ainda, nesta altura, fica com a mobilidade limitada dada às consequências das chuvas, numa cidade que teima em se tornar numa grande metrópole.
Falamos de turismo, julgamos, não tanto porque hajam razões para o fazer, mas muito mais porque temos bons lugares e mal explorados por carecerem de fortes e bons investimentos.
A cidade de Luanda é exemplo disso mesmo. Os lugares onde se possa visitar aos fins-de-semana ou nos feriados, como alguns hotéis, restaurantes, resortes, enfim, grosso modo, afugentam devido aos preços proibitivos que praticam. Como entender, vamos lá, que o luxuoso hotel HCTA, no Talatona, cobre por uma cerveja cuca o valor de 900 kwanzas e 750 por um copo médio de fino da mesma empresa?!
Mas quem fala desta unidade fala de outras que andam igualmente à volta disto. Como compreender os preços que o restaurante Fininho prática por um prato de comida, às vezes, sem uma qualidade aceitável? Aqui cabe, igualmente, o Jango Veleiro, na Ilha de Luanda.
A receita dada por alguém frequentador, ao optar-se por um destes locais e com a família, de preferência sair de casa já “comidos” e se calhar também já “bebidos”. Há quem opte em não sair de casa para explorar estes espaços. Daí, vezes há em que estes ficam quase “às moscas”.
Se tem música ao vivo, o pianista toca para três ou quatro pessoas. Acontece.Ambiente diferente ao deixado em casa, julgamos, todo mundo gosta. Logo, seria motivo para ter estes espaços cheios de clientes, com vontade de passarem algum momento de prazer e satisfação pelos serviços que são oferecidos nestes lugares.
A escolha do destino para as nossas vidas é fundamental. Mas as férias cada vez mais ficam dependentes da carteira, sobretudo gozando-as cá no país, quando se decide sair de casa, por exemplo, de Cabinda para o Huambo. O lema “Vá para fora cá dentro”, uma campanha que poderia ser um bom incentivo aos angolanos, colhe pouco, a julgar pelos elevados custos com estadia, alimentação, etc. Como disse um viajante, fica menos dispendioso ir à Namíbia. Hoje, o câmbio é um problema. A questão flutuação da moeda acaba por influenciar no poder de compras.
É importante a estabilidade económico-financeira. Também é que se criem infra-estruturas de apoio ao turismo. A melhoria dos serviços básicos, a mobilidade, a fiscalização dos locais turísticos, a qualificação dos recursos humanos são requisitos necessários. Seja como for, não constituem razões bastante para que uma cerveja feita em Luanda, vendida normalmente na rua a 125 kwanzas, esteja ao preço de 900 em recintos distintos, embora se reconheça a sua qualidade.
Mas se crê que “o turismo nacional vai ser uma grande fonte de captação de investimentos nos próximos anos, como um dia afirmou a ministra do sector. É verdade que o país tem potencial suficiente para alavancar a indústria do turismo e atrair receitas.
Num período de diversificação da economia, a indústria turística deve funcionar como tal, pois a geração de recursos financeiros por via deste sector vai ajudar a suprir muitos problemas cujas soluções ficam à mercê da boa saúde financeira.
Segundo dados de 2017, o sector turístico contribuiu para o Estado, através de impostos, com cerca de 10 mil milhões de kwanzas. A tendência de subida tem de ser a divisa e, para tal, é necessário ainda muito trabalho.
Sabe-se que as viagens de negócios se destacam como o principal motivo para a entrada de turistas em Angola. É preciso inverter esta tendência. Fazer com que as viagens acontecem por causa do turismo de recreação. E não há dúvida que é possível que tal aconteça, pois se admite que o turismo em Angola dá sinais de caminhar para o crescimento e muito ainda se espera a julgar pelo plano director do sector.
É importante que se continuem a investir na criação de infra-estruturas hoteleiras e similares, mas também se precisa de preços que motivem a procura e a concorrência. Não se pode continuar a ter sempre Cape Town como razão da nossa existência turística, salvo algum exagero.