Opinião

Entre nós, africanos

Abril chuvas mil. Aumentam as preocupações quando se aproxima Abril. É o mês que chove sem misericórdia e de consequências mil. A nível de Luanda, é o que já se sabe: a chuva é boa mas em Luanda não. É recorrente ouvir-se. Os prejuízos são indescritíveis e reportados pela imprensa.

Abril chuvas mil. Aumentam as preocupações quando se aproxima Abril. É o mês que chove sem misericórdia e de consequências mil. A nível de Luanda, é o que já se sabe: a chuva é boa mas em Luanda não. É recorrente ouvir-se. Os prejuízos são indescritíveis e reportados pela imprensa. Criam-se comissões de inquérito e a governação local sai à rua para avaliar os estragos. Depois termina Abril e o grito de alívio solta-se dos pulmões. Uff… lá se foram as chuvas.
Há algum tempo que a cena se repete qual placa giratória. Medidas? Claro que são tomadas mas depois voltam as enxurradas no ano a seguir e lá se vê se valeram a pena ou não. É o que se diz por cá, a chuva é o grande fiscal das obras (mal)feitas. E neste desiderato parece atribuir algum certificado de alguma incompetência. O nosso jornal de economia chega hoje na sua edição número 500. Existimos desde 19 de Agosto de 2008 e ainda aguardamos o dia para
noticiar apenas os benefícios da chuva.
Quando da sugestão em escrever sobre este tempo da nossa existência, obviamente que nos ocorreu à cabeça um naipe de situações por abordar e ficamos sem definir onde começar. Pensamos nos fazedores da informação económica, nos especialistas que comentam os fenómenos económicos, pensamos na banda do BNA, na taxa flutuante, no mercado cambial de incerteza e insegurança, nas fontes mais espraiadas e que municiam mais a diversidade informativa, enfim. Tudo nos ocorreu.
Abriu-se efectivamente uma nova era para a informação económica. Não é que já seja fácil mas se está perante um leque de mais soluções para movimentar as peças no tabuleiro. A PGR encheu-se de coragem e tornou pública a sua decisão e acompanhamento aos casos que envolvem pessoas proeminentes e que dentro da consciência colectiva, tendo em conta à realidade bem recente, transportavam o rótulo de intocáveis e impunes.
Mas no seu discurso de tomada de posse, o Presidente João Lourenço foi claro ao se referir que “ a necessidade de transparência na actuação dos serviços e dos servidores públicos, bem como o combate ao crime económico e à corrupção que grassa em algumas instituições, em diferentes níveis, constitui uma importante frente de luta a ter seriamente em conta, na qual todos temos o dever de participar”, avançando mesmo que “a corrupção e a impunidade têm um impacto negativo directo na capacidade do Estado e dos seus agentes executarem qualquer programa de governação”. Exortando, por isso, “todo o nosso povo a trabalhar em conjunto para extirpar esse mal que ameaça seriamente os alicerces da nossa sociedade”.
Como trilhamos imparáveis a via da construção de um verdadeiro estado democrático e de direito, o Presidente no seu discurso deixou subjacente que a segurança e a certeza jurídica são fundamentos indispensáveis para que haja justiça, porquanto é óbvio que na desordem não é possível reconhecer direitos ou exigir o cumprimento de obrigações.
E para que haja de facto este resgate do sentimento de confiança nas instituições do Estado é crucial que a justiça desempenhe o seu verdadeiro papel porque, lembrou o Presidente na altura, “os cidadãos precisam de acreditar que ninguém é rico ou poderoso demais para se furtar a ser punido, nem ninguém é pobre demais ao ponto de não poder ser protegido”. Os fenómenos quais catadupas vão se sobrepondo um atrás do outro e sentimos o país a dar o ar da sua graça e a
inserir-se mais no contexto africano.
Os últimos acontecimentos ficaram marcados pela assinatura de João Lourenço do acordo de Kigali sobre a criação da zona de comércio livre de África. Os comentários sucedem-se. Há quem apoie esta suposta libertação económica do continente investindo num PIB africano e fazendo, entre si, face aos seus problemas, recorrendo menos a outros mercados continentais e há quem mostre cepticismo porque acha que não há condições técnicas e nem políticas
para se avançar para tal “autonomia”.
Dissemos, no início que em Abril chuvas mil”. Agora em Março, as chuvas quase impediram que a circulação de camiões e os seus bens se processasse. Como as estradas continuam a ser reparadas, os desvios, não asfaltados, encheram-se de lodo e as colunas de viaturas fica(va)m enterradas nestas enormes acumulações de terra molhada. Os prejuízos são conhecidos e comprometem a livre circulação. África quer depender de si sob o ponto de vista económico, mas internamente quantos países já estão preparados ? Que esta livre concorrência é boa lá isto é, pelo menos para espicaçar as nossas economias. Para mostrar que etu mu dietu.