Opinião

Empresas “nado morto”

Segundo dados do Guiché Único de Empresas (GUE), cada 100 empresas constituídas anualmente 70 morrem. Sendo estas: Micro, Pequenas e Médias empresas (MPME).

Segundo dados do Guiché Único de Empresas (GUE), cada 100 empresas constituídas anualmente 70 morrem. Sendo estas: Micro, Pequenas e Médias empresas (MPME).
Elas morrem por razões diversas, entre as quais podemos apontar a contracção económica. Porém, há um outro tipo de empresas cuja falência resulta da ausência de estudos de viabilidade técnico e económica no acto da sua constituição, chamo-as “empresas descartáveis”, para mim aqui concentra-se o maior número. São aquelas que os seus sócios são funcionários do sector público, regra geral elas são criadas devido a uma oportunidade que surge ou que é criada para este fim, por exemplo: um responsável de uma instituição pública, pode criar uma empresa de limpeza para cuidar da higiene apenas da organização que dirige.
Neste tipo de empresas, há em geral um cliente único que é o dono da mesma, a morte delas ocorre com a saída do seu sócio do cargo que ocupa na instituição.
A grande preocupação com tudo isso, é que as MPME são as que mais empregam, isto em quase todo o Mundo, logo, acabam por ter uma influência nos vários indicadores económicos dos países, com particular realce, para o desemprego e a inflação. Por isso, deve ser preocupação dos governos, aumentar o rigor no aspecto ligado aos requisitos de constituição de empresas, para evitar o seu desaparecimento prematuro e criar problemas no desenvolvimento económico do país.
Vejamos um exemplo: O programa de Governo de Angola 2017-2020, prevê alguns indicadores que podem ser influenciados, como são os casos da criação de 500 mil postos de trabalho e atingir uma taxa de inflação média anual inferior a dois dígitos, isto é, se 70 de 100 empresas constituídas continuarem a morrer a nascença.
Acredito que as medidas adoptadas como o combate a corrupção, a impunidade e outros males, prejudiciais ao desenvolvimento, se continuarem com o rigor que se exige, podem ser o medicamento para a cura desta doença.
Outrossim, é necessário que as diversas iniciativas que têm sido implementadas como é o caso do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), complementado, com o Programa de Apoio ao Crédito (PAC), devem evitar a abertura de novas “empresas descartáveis”. Neste âmbito assistiu-se recentemente, a algumas sessões de formação dadas a alguns futuros beneficiários dos programas, com uma falha na escolha dos formadores, que deveriam ser empresas angolanas de consultoria, bem-sucedidas nos seus negócios, mesmo que para o efeito sejam impostos alguns requisitos, como tempo mínimo de actividade ininterrupta, impostos em dia, etc., isto porque, conhecem o mercado onde os futuros empresários irão trabalhar, logo, estão em melhores condições de passar a mensagem sobre as dificuldades existentes.Todavia, esta não foi a opção do Ministério da Economia. Optou pelo pessoal expatriado, o que parece ir no sentido contrário do PRODESI, que visa substituir as importações e aqui claramente estamos a importar recurso humano que existem em Angola. Por outro lado, exige saída de divisas do país que a bom rigor seria de evitar.
Talvez já na senda do PRODESI a TPA no noticiário das 6:00 às 9:00 da manhã do dia 27 de Fevereiro, informou sobre a entrega por parte do Governo do Moxico de autocarros para transporte público aos agentes privados, sendo que, os beneficiados são obrigados a pagar um valor inicial e o restante será pago em prestações mensais.Espero que tenha sido ponderada a capacidade de pagamento mensal.
Nas formações, tenho passado a mensagem para os futuros empresários e gestores de que para sermos bem sucedidos, precisamos ter em mente que o dinheiro recebido dos nossos clientes pela venda dos bens ou serviços não é nosso enquanto donos da empresa, uma parte considerável do mesmo quase cerca de cinquenta porcento de cada kwanza que recebemos, é para entregar ao Estado por via dos impostos e outra parte deve ser para os custos com a empresa, para salários, manutenção dos bens, etc., os donos (sócios), apenas recebem algo se a empresa tiver lucro. Todavia, temos assistido alguns casos de “empresários” que quando os seus clientes pagam o que é devido, utilizam o dinheiro recebido para tratarem de assuntos pessoais, como passeio em férias, exibindo-se nas redes sociais, quando os seus trabalhadores ficam sem salários, este é um comportamento típico de termos empresas nado morto,pois que se assim procederem não vão conseguir reembolsar as prestações dos autocarros.