Opinião

Empreendedorismo

No meu entender, o empreendedorismo não se deve constituir numa prioridade no processo de diversificação da economia em Angola. Pelo menos, não para já!

No meu entender, o empreendedorismo não se deve constituir numa prioridade no processo de diversificação da economia em Angola. Pelo menos, não para já!
Não obstante a dependência extrema da economia angolana face ao petróleo, que mergulhou o país numa profunda crise económica, financeira e cambial, decorrente da forte quebra nas receitas petrolíferas, e fruto resultante de uma Gestão deficitária, estiveram também em causa, como factores determinantes e significantes para este momento duro e difícil que o país enfrenta, a corrupção, o nepotismo, os monopólios e a acumulação primitiva de capitais.
A crise renovou a certeza da necessidade de se olhar para a diversificação da economia e o país mostrou claramente indícios que precisa urgentemente de deixar de depender do petróleo e abraçar os bons modelos de Gestão moderna que se pautem pela excelente capacitação técnica de quadros e boa postura
ética corporativa e governativa.
O empreendedorismo é apontado como uma das medidas adoptadas no processo de diversificação da economia. No entanto há algo que parece ser deixado novamente de lado neste processo dinamizador ao fomento da diversificação económica - o papel da “boa Gestão”. Dentro da esfera económica, empreender significa criar opções de melhor desempenho, ganho ou lucro, transformar rotinas de trabalho de forma a gerar mais produtividade, ter ideias inovadoras e desafiadoras, ter a capacidade de ver além do quotidiano, solucionar com habilidade e criatividade, ou seja; “Empreender significa reinventar”.
Não é assertivo mentalizar a ideia de que um empreendedor seja também um bom gestor. Em muitos casos é possível desenvolver valências de um gestor a um empreendedor ou de um empreendedor a um gestor, mais a ideia de achar que ambos sejam a mesma pessoa é naturalmente incorrecta, não obstante o facto de existirem indivíduos capacitados de valências para ambas.
“O empreendedor apenas cria o negócio, o gestor o perpétua”.
Dado o momento e as circunstâncias que atravessamos, facilmente perceberemos que ainda não é prioridade estarmo-nos a reinventar, por agora bastava nos orientarmos. A ideia de nos reinventarmos para diversificar a economia é salutar, de facto precisamos o fazer mas, não ainda.
Ao contrário de muitos países que vêm escasseadas as suas receitas oriundas de recursos naturais, muitos dos quais sem grandes deles, como é o caso de Israel, que tem como principal recurso natural o rio Jordão, com profundidade máxima de 5.20 metros e largura máxima de 18,30 metros, precisou apostar agressivamente no empreendedorismo como medida dinamizadora prioritária para o seu Desenvolvimento Económico e Social tornando-se num dos países mais empreendedores do mundo, perdendo apenas para os E.U.A, Japão e China…(..) Angola também há-de precisar, mas não agora.
Angola, dispõe de outros importantes recursos naturais e factores de produção ainda por explorar, tais como as imensas extensões de terras aráveis, as importantes reservas de minerais sólidos, o potencial hidroeléctrico, as pescas, os parques naturais e turísticos, uma abundante força de trabalho e muito mais; É neles que devemos nos centrar e investir por agora.
Precisamos apostar fortemente na formação e capacitação de quadros em matérias de Gestão e Administração, sobretudo em questões de domínio tecnológico, pois que, para apostarmos no empreendedorismo (pensar ideias), precisamos, antes de mais, formar/capacitar estas mesmas mentes com competências técnicas, humanas e conceptuais em matérias de negócios para que os mesmos consigam garantir longevidade para os seus projectos.
O novo contexto político faz-me acreditar que, não tarda, seremos invadidos pelo investimento internacional, quero acreditar que, nessa altura, possamos ter minimamente quadros suficientes para responder com qualidade e excelência às exigências que nos serão impostas pelos investidores estrangeiros. Por essa e por outras é que prefiro endereçar o foco na formação e capacitação do quadro angolano, sobretudo os jovens, nas esferas tecnológicas que é o principal norteador do século XXI. Estamos a viver a 4º revolução Industrial.