Opinião

Em busca de consenso

Terminado o período do acordo entre os membros da Opep e os principais produtores de petróleo do mundo para o congelamento da produção com vista a estabilização dos preços no mercado internacional que, por conseguinte, apesar de não produzir resultados significativos como havia sido desenhado, porém difíceis de alcançar no espaço de tempo em causa, permitiram eliminar parte do excedente de produção que havia e consequente ligeira recuperação na cotação do petróleo, com valores a superar os 50 dólares, menos de metade em comparação ao ano de 2014 altura em que os preços atingiram acima dos 100 dólares.

Ao que era apontado como dos principais temores, e que de forma decisiva colocaria em causa os resultados alcançados, é de facto a operacionalização da indústria petrolífera norte-americana, com a reentrada e aumento da produção, o que compromete os esforços para a eliminação do excesso da matéria-prima no mercado, e com este cenário, o reequilíbrio dos preços é mais difícil de alcançar.
A título de exemplo, no caso específico de Angola, as receitas fiscais com a exportação de petróleo aumentaram 6,5 por cento no mês de Abril, para mais de 760 milhões de euros, aproximando-se de novo dos máximos do início do ano, que foi então o melhor registo em 16 meses. De acordo com dados dos últimos relatórios mensais do Ministério das Finanças, sobre as receitas com a venda de petróleo, Angola exportou 48.579.198 barris de crude em Março a um preço médio de 49 dólares, aumento superior a 110 mil barris face ao mês de Março, mas com o preço médio a descer, no espaço de um mês, cerca de dois dólares. Desta forma, as vendas totais de petróleo por Angola ascenderam a 2.384 milhões de dólares (2.121 milhões de euros) em todo o mês de Abril.
A Opep e os seus parceiros, tais como a Rússia, trabalham para prorrogar o acordo assinado em Novembro último num mercado mundial marcado pelo auge do petróleo americano, pelo que ficou de fazê-lo ontem.
A Arábia Saudita, membro do cartel e a Rússia, os dois principais produtores mundiais, já anunciaram que farão todo o possível para prorrogá-lo, provavelmente por um período de nove meses até Março de 2018. Alguns dos 13 membros do cartel, como Iraque, Kuwait e Venezuela concordaram com esta posição.
Em relação a isso, os países da Opep e seus parceiros buscam uma difícil quadratura do círculo para alcançar um preço do barril que não seja nem muito alto nem muito baixo.
Não querem fazer um corte dramático de produção, com o qual os preços comecem a subir, o que poderá enriquecer os americanos, brasileiros e os noruegueses às suas custas”. Ao mesmo tempo, um preço muito baixo coloca em risco as economias dos produtores do Golfo e de países muito dependentes, tais como: a Venezuela.
Este era o panorama antes do acordo do ano passado, quando a política da Opep de inundar o mercado para competir com o xisto fez cair o barril a níveis historicamente baixos.
Até agora a situação inverteu-se e a produção nos Estados Unidos (de xisto e convencional) passou de 850 mil barris por dia em 2016 para 9,3 milhões actualmente, aproximando-se do recorde histórico de 2015.
Trata-se da “maior recuperação dos últimos 30 anos”, avalia Martijn Rats, da Morgan Stanley. Ante tudo isto, persistem ainda algumas dúvidas.
A questão agora é saber se uma nova prorrogação será eficaz para estimular os preços, após os primeiros meses de 2017 nas quais as reservas continuaram a aumentar, apesar dos esforços da Opep.
O esforço deveria ser mais eficaz no II semestre porque há um aumento da demanda de 2 por cento, ao mesmo tempo, o cartel sabe que tem um tecto dos 60 dólares que não vai poder superar.
Por sua vez, a Arábia Saudita tem um especial interesse em que haja acordo em Viena porque está preparando para 2018 a estreia da Aramco, companhia de petróleo nacional, na Bolsa de Valores. O preço do barril será determinante na valorização das acções.