Opinião

Economia: Tudo na mesma!

Volvidos cerca de quatro anos desde que eclodiu a crise, as coisas parecem continuar na mesma, embora haja quem não perceba e nem sinta isso.

Volvidos cerca de quatro anos desde que eclodiu a crise, as coisas parecem continuar na mesma, embora haja quem não perceba e nem sinta isso. Contudo, todos estamos praticamente de acordo que a economia, nos últimos anos, pouco ou nada cresce e como consequência, o emprego converteu-se num produto raríssimo, isto para não falar do poder de compra dos humildes contribuintes que continua lá em baixo. Enquanto isso, assistimos ao desfile de uns tantos planos disto e daquilo para salvar a pátria de Agostinho Neto da crise (económica e financeira) que a apoquenta.
Mas, resultado que é resultado “niete”, pois, no campo económico, a situação continua praticamente na mesma, com as importações de tudo e mais alguma coisa a queimar boa parte das nossas reservas internacionais líquidas. Nos últimos meses, porém, temos vivido uma relativa estabilidade económica. Mas não nos devemos iludir, pois ela radica mais na retoma dos preços do petróleo no mercado internacional do que em qualquer mágica
engendrada por alguém de cá.
Pois, se por qualquer “azar”, os preços (no mercado internacional) voltarem a cair abruptamente, tal como foi em meados de 2014, iremos experimentar novamente as mesmíssimas dores de barriga que sentimos até há bem pouco tempo. Aliás, estas, ainda não passaram na totalidade. Pelo que, se não quisermos ser insensatos, temos de aproveitar ao extremo o actual bom momentos dos preços do petróleo para turbinar o crescimento e o desenvolvimento económicos do nosso país. Caso contrário, continuaremos expostos às contingências do mercado e aos constrangimentos que dele decorrem.
Às vezes sou tentado a corroborar com a ideia de um concidadão, com o qual partilhei o candongueiro (táxi precário) há algumas semanas quando, no calor da conversa de ocasião, própria destes meios de transporte público, terá afirmado categoricamente que <>.
Porém tenho a impressão que nós temos aprendido pouco com as peripécias do passado. Se em 2014, quando eclodiu a crise, falávamos muito da diversificação da economia e mais tarde até evoluímos, começando a falar da “aceleração do processo de diversificação da economia”, nos dias que correm, esses conceitos já não aparecem com a mesma frequência e vitalidade nos discursos dos “nguvulos”.
E até não me espantarei se daqui há dias começarmos a ouvir novamente discursos triunfalistas tais como <Penso que, para driblarmos a crise, temos de ter a diversificação da economia como substrato do progresso económico-social de Angola, estabelecendo objectivos concretos e com metas mensuráveis. Para tal, temos de erradicar com a máxima brevidade todos os factores que atrapalham o alcance deste objectivo, nem que seja com medidas severas. Ou seja, para grandes males, grandes remédios se recomendam. E neste diapasão, as pessoas politicamente expostas (PPE) não podem continuar a ser ignoradas no nosso país. Estas, em qualquer parte do mundo, implicam custos altíssimos à economia.
Para livrar-se da crise e lançar-se na rota do progresso multifacetado, em pouco tempo, Angola tem tudo ao seu alcance. Até a sua localização geográfica é um autêntico trunfo. Aqui bem pertinho de nós existe um conjunto de países sem saída para o mar para os quais podemos exportar inúmeros produtos acabados, propiciando o encaixe de sumptuosas somas em divisas. Mas para chegarmos até aí temos de produzir com ciência, com inteligência e seriedade.
Se produzirmos com ciência, com inteligência e seriedade a economia vai crescer de maneira sustentável. E como sabemos, é o crescimento sustentável da economia que vai amainar a fúria da crise, trazendo mais empregos, mais renda e mais bem-estar para as famílias.