Opinião

Desinflação

Os estudos concluem  que desinflacionar um mercado não se processa de forma automática
é, de facto, tarefa complexa

A desinflação, por vezes, confundida como sendo a deflação, corresponde a redução da inflação. É, porém, um desiderato económico que praticamente se pode verificar em toda e qualquer economia. Os países como o nosso, de economias pequenas, não diversificadas e menos sustentadas, cujas moedas locais pouco conseguem se impor no seio daquelas internacionais, por regra, são propensas em apresentar inflações indesejáveis e que manietam o normal percurso das actividades económicas. Daí que, para estes países se aconselha a adopção de instrumentos inflacionistas a mercê de transversalidade, de mais disciplina e rigor de forma incessante, ao passo que aquelas economias de inflações normais – importa referir que a inflação normal ou desejável, varia de país para país, pois que o desejável para Angola poderá não o ser para os Estados Unidos da América -, costumam abraçar a desinflação de maneira suave, para apenas manter o equilíbrio do gráfico da “inflação e deflação”. Para o efeito, a política desinflacionista deverá andar de mãos dadas com a inflacionista.
Por outro lado, para não mais confundir-se, importa avançar que está-se diante de deflação quando o poder de compra/a média geral de preços, se postula abaixo de zero, resultante de uma oferta de produtos e serviços, bem maior a demanda - por culpa de vários factores, como é o caso dos créditos para os investimentos com custos muito atractivos, os custos de produção baixíssimos, restrição de créditos ao consumo, a retracção do consumo, a pouca exportação dos excedentes e por aí em diante -, facto, que entretanto, além de elevar o poder aquisitivo das famílias, traz a reboque alguns males à economia: é prejudicial para o tomador de créditos, na medida em que passa a ressarcir - a favor do credor -, moeda com maior liquidez (poder de compra); o aumento exponencial dos aforros é seguido por uma queda acentuada de créditos; as empresas são forçadas a baixar os preços, podendo com isso, tornar-se menos ricas e também reinventarem e empregarem menos.
Retomando ao tema, os estudos concluem que desinflacionar um mercado não se processa de forma automática, é de facto, tarefa complexa composta por ciclos ou momentos económicos, - de vez em quando - repletas de flutuações, exigindo resiliências, estratégias sustentáveis ou impondo a presença de ferramentas macroeconómicas que exigem sacrifícios e custos económicos de realce, a serem partilhados pelos diversos entes-económicos. As rubricas macroeconómicas, ao serem motivadas pelas dinâmicas e interesses dos diversos players económicos, quer de fora, como os de dentro, já mais se tornam estáticos, por isso mesmo, a luta pelo equilíbrio dos preços, pelo crescimento e desenvolvimento económico de qualquer país é infinita.
Todavia, vários instrumentos concorrem para fazer esfriar a inflação – cada uma delas aplicada mediante a origem, tipologia e a bitola da inflação -, nomeadamente, dentre os quais, o aumento da oferta de produtos e serviços internamente, através, sobretudo da diversificação económica; as políticas monetárias restritivas, que aquece, quer a taxa de reservas que as instituições bancárias mantêm, junto do bancos centrais nacionais, quer a taxa básica de juros, com vista a enxugar a massa monetária e restringir o crédito bancário, podendo, acautelar-se daqueles financiamentos com foco nos sectores-chave para a diversificação e dar lugar à valorização da moeda local, na medida em que a procura por ela, torna-se superior a oferta; o desincentivo a importação; a promoção dos investimentos estrangeiros, da exportação e da internacionalização das empresas e dos negócios, podendo atrair a entrada de divisas, que por sua vez, poderá equilibrar a procura e a oferta destas; a manutenção do desemprego - mas a um nível aceitável -, para ajudar a desanimar o consumo e por via disso motivar a descida de preços.
Só para carimbar o presente artigo, gostava de avançar que para desinflacionarmos de forma recorrente e sustentada, o nosso mercado precisa de sobretudo não mais depender de um único produto exportável, de baixar o custo da produção nacional e de melhorar a nossa balança de pagamentos. (I parte)