Opinião

Crescimento moderado

Atenção redobrada às economias da África subsahariana, que segundo o Banco Mundial tiveram em 2016, o mais lento ritmo  de crescimento em duas décadas, fixando-se em 1,5 por cento.

As previsões de crescimento da economia mundial para este ano estão sob olhar muito atento do mundo, com alguma particularidade para os analistas, investidores ou melhor da população de um modo geral, sobretudo pelo que tem acontecido nos EUA, com a administração de Donald Trump, o que contra todas expectativas, as promessas feitas aquando da sua campanha eleitoral estão a ser de facto materializadas.
As principais agências de ranking e o Banco Mundial não diferem muito nas suas previsões, pois apontam para um crescimento do produto interno bruto (PIB) em 2017 de 2,7 por cento, um aumento de 0,4 comparativamente ao registado em 2016, diminuição de 0,1 em relação às projecções divulgadas em Junho último pelo Banco Mundial.
Há uma onda de pessimismo cada vez mais acentuada em relação ao crescimento da economia mundial nos números previstos devido à crescente vaga de incertezas em relação as políticas proteccionistas e outras dos E.U.A.
Os factores que concorrem para este cenário são sobejamente conhecidos, designadamente a guerra comercial que o Presidente Donald Trump lançou contra o México e a China poderão todavia atrasar a esperada recuperação do comércio mundial e do investimento.
Entre outros factores de incerteza, está o Brexit, no Reino Unido, que se prepara para iniciar a discussão sobre a saída na União Europeia. Nesta última semana com autorização do Tribunal para início das referidas discussões, por um lado, e por outro às próximas eleições, particularmente na Europa, em países como a França e Alemanha podem desencadear um novo movimento proteccionista, diga-se preocupante para o comércio mundial.
A intensificação da incerteza política nos Estados Unidos e na Europa poderá levar a uma volatilidade do mercado financeiro e a custos mais elevados dos empréstimos ou eliminar os fluxos de capital para os mercados emergentes e fronteiriços.
Atenção será redobrada às economias da África subsahariana, que segundo o Banco Mundial tiveram em 2016, o mais lento ritmo de crescimento em duas décadas, fixando-se em 1,5 por cento, com algum destaque para os países exportadores de petróleo, que contribuíram de forma significativa para a retracção económica.
Para este ano, prevê-se um aceleramento moderado do crescimento económico da África Subsahariana em torno de 2,9 por cento, justifica-se, à medida que a região continua a ajustar-se aos preços mais baixos dos produtos básicos.
Devo dizer ainda que não se ouviu pronunciamentos sobre a política de comércio dos EUA, ou seja, da nova administração com os países africanos, as incertezas geradas por tal situação também criam algum pessimismo sobre o crescimento económico da região nos números previstos. A frase América em primeiro lugar tem causado algum desconforto e digo mesmo preocupação sobre como o presidente dos EUA vê a economia mundial e, por conseguinte, entenda revogar a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) de 2000, que tem facilitado o acesso das exportações dos países africanos ao mercado dos EUA. O concretizar deste cenário, o fim dessas facilidades comerciais, os países africanos enfrentariam grandes dificuldades.
Deveras ante todo este cenário aqui esmiuçado, o “cocktail” de incertezas nos países ricos, as economias emergentes e em desenvolvimento estão todavia condenados a expectativas, na medida em que as economias de África de modo particular e da Subsahariana dependerão em grande medida destes da variação destes cenários.
O que pode ser boa notícia para os países africanos, sobretudo os exportadores de petróleo, aquela que é considerada a segunda maior economia do mundo, a China e um dos maiores parceiros comerciais de África, o Banco Mundial prevê um crescimento em torno de 6,5 por cento. O que também significa maior consumo de energia para poder sustentar o crescimento.
A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê uma ligeira alta da previsão da procura de petróleo para este ano, sobretudo para ter em conta “o surpreendente” aumento constatado no último trimestre de 2016. E outros factores.

Nsingui Malongui - Gestor e consultor em Finanças Públicas