Opinião

Começar de novo vai valer a pena

1 “Vamos, a partir desta primeira visita a Cabinda, dar o sinal de que a província é importante para nós”, assumiu o Presidente da República, João Lourenço, que nesta cidade orientou, na última quarta-feira, a reunião da primeira sessão ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros.

1 “Vamos, a partir desta primeira visita a Cabinda, dar o sinal de que a província é importante para nós”, assumiu o Presidente da República, João Lourenço, que nesta cidade orientou, na última quarta-feira, a reunião da primeira sessão ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros.
A realização do evento, dedicado aos projectos locais, responde a um desafio do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no último congresso do seu partido em que recomendou para que se deixasse de governar para o povo e passasse a governar com o povo. O balão de ensaio acaba de ser lançado em Cabinda e obviamente o gesto configura a mudança de paradigma de governação, apanágio para os cinco anos do Executivo.
“A província é importante para nós”, disse o Presidente. Estamos plenamente de acordo. E assim sendo, enche de satisfação os seus habitantes. Pois, reivindicam por um tratamento diferente do actual. Esta terá sido a preocupação do vigário-geral da diocese de Cabinda, padre Francisco Nionge: “Pedi ao Presidente da República para melhorar as condições da população”.
Diz a informação do JA que ao governador e demais autoridades de Cabinda, João Lourenço garantiu o apoio do Executivo para vencer “a batalha do desenvolvimento”. O Presidente constatou incumprimentos na execução de projectos públicos importantes e lamentou o facto. Prometeu seguir de perto. Claramente uma posição concretizadora do repto de “governar com o povo”. Cabinda assume o privilégio do ensaio.
Acredita-se que a província ganhe verdadeiramente outro impulso. Consiga reverter o actual quadro social apontado como grave. Se calhar, dever-se-ia responsabilizar os causadores dos incumprimentos. Havendo. Por eles também, o povo viu-se penalizado. Embrulhado numa vaga de dificuldades numerosas.
2 Faz algum tempo que não viajo à cidade de Cabinda. As vezes que lá estive foi em serviço e nunca mais de 24 horas. Recordo que uma vez fui a Cacongo e fiquei maravilhado com as praias locais. Frequentei restaurantes que exibiam a culinária da região. Fiz amigos de ocasião e conversei sobre Cabinda e os seus hábitos e costumes e dei também informação sobre a cidade onde nasci. Benguela. Provavelmente dada a aproximação com os Congos e a sua influência cultural, falamos de África. Percebi que era percebido. E percebi que eles percebiam que eu os percebia também.
Afinal falávamos do mesmo país. O nosso. Percebemos da importância do “slogan” congregador e de brutal peso histórico: “Um só povo e uma só Nação”. Notamos que não era apenas o Girabola que nos unia, quando o Sporting de Cabinda está em prova. Percebi que existem e se podem estender os laços de “ermanos” noutros campos da vida. Mas percebi igualmente de que, de muita vontade que tivéssemos de visitar com regularidade Cabinda, as tarifas aéreas esvaziavam o desejo.
Para lá chegar, saindo de Luanda e não só, só usando o avião. Hoje, a notícia da decisão tomada nesta primeira sessão ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros sobre a subvenção do preço das viagens a Cabinda, com certeza, representa a motivação do surgimento de uma “via expresso” que conduza ao reforço de mais aproximação com os cabindenses.
A tarifa do bilhete, visto o exercício ser o de “dar o sinal de que a província é importante para nós” poder-se-ia, a título promocional, para um período de um ano e meio, ser colocada numa tabela que não excedesse os 15 mil (ida e volta) e assim estaríamos regularmente lá e eles cá. Reaprenderíamos a conhecer-nos melhor. Quiçá, em todos os domínios. Até na alegria de partilharmos o mesmo sorriso. Começar de novo vai valer a pena, se o mote for o de dar impulso e reverter o actual quadro que “lamentavelmente não é dos melhores”.