Opinião

Casa fechada, casa rachada...

Se a questão da distribuição das casas construídas pelo Estado, referindo-se sobretudo às centralidades, convencessem, com certeza, informações como esta da construção de 122 mil habitações, até 2022, como meta do Programa Nacional de Habitação, cairiam como uma lufada de ar fresco.
Como um grande facto nacional.

Se a questão da distribuição das casas construídas pelo Estado, referindo-se sobretudo às centralidades, convencessem, com certeza, informações como esta da construção de 122 mil habitações, até 2022, como meta do Programa Nacional de Habitação, cairiam como uma lufada de ar fresco.
Como um grande facto nacional.
A verdade, a sensação dominante e generalizada, é de haver muita morosidade relativamente à entrega de casas construídas. Muitas, há anos. Mas longe de se ter delas um desfecho bom para as famílias. Por várias razões, às vezes, acabamos mesmo por ter a ousadia de assumir que existem inúmeras casas a espera de uma verdadeira
e transparente decisão habitacional.
Há muita gente a espera oportunamente de uma luz verde para se lançar à compra de uma casa própria (do Estado), em zona urbanizada, com energia eléctrica, água canalizada, infra-estruturas sanitárias e com estrada
asfaltada da porta de casa ao serviço.
Logo, mesmo aplaudindo os programas de habitação para colmatar o défice nacional, faria todo o sentido analisar o já existente. Quantas habitações já foram construídas (terminadas ou não, dentro do Programa Nacional de Habitação?). Quantas já distribuídas ou
vendidas, se o termo melhor confortar?
Nesta “Nova agenda Urbana e Reforma do Estado”, lema do último Fórum Nacional de Urbanismo, é preciso analisar com profundidade( não é que não esteja a ser feita) sobre a melhor forma de contornar o défice de habitação social. Claro, construir e deixá-las fechadas quase eternamente
não parece uma opção prudente.
Quantas vezes ouvimos falar haver casas em centralidades anunciadas como totalmente ocupadas e lá estão muitas fechadas?! A ser verdade, de quem são e por que motivo não as ocupam? Os projectos habitacionais integrados, com realce para as 200 casas por município, qual é hoje a situação real? Basta meter-se pela estrada nacional e logo se terá a resposta. A vegetação e capim
à volta destas ajudam a compreender.
Salvo posicionamento contrário de quem de facto domina o métier, mas, numa observação nua e crua, algo pouco agradável está a passar-se a nível da distribuição destas casas já feitas. Óbvio, vai-se alegar ter faltado isto ou aquilo e daí adiar-se as suas ocupações. Mas são muitos anos nesta placa
giratória difícil em definir uma saída.
A questão da falta de casa própria deve ser levada com muita sensibilidade. Não bastam as promessas, não bastam as boas intenções constantes no Programa Nacional se tudo isto se não traduzir na felicidade das famílias. Por que as ter aos montes se permanecem depois, por
longos e infinitos anos, desocupadas?!.
Por conseguinte, deve-se tomar com atenção os pronunciamentos do director Nacional da Habitação, Adriano Silva, ao assumir, durante o Fórum Nacional realizado em Luanda, prever o Executivo, até 2022, construir 122 mil habitações, no quadro do sub-programa de habitação para “colmatar o défice”. Lindo! Mas como ficam as já construídas há muito tempo e “às moscas”?
Seria mais sensato, julgamos, independentemente das razões, que se concluíssem as que faltam, que se distribuíssem as que devem ser distribuídas… Como afirmou um servidor público, há dias, não pudemos continuar a colocar a carroça a frente dos bois.
No fundo que se vá a té ao fim com os “sub-programas existentes, isto é, até a sua entrega e ocupação e lançar-se, em seguida, a novos desafios. Senão não valea pena. O cepticismo vai se manter. Como se diz comummente: casa fechada, casa rachada. Agostinho Chitata