Opinião

Calculadora e relógio no pulso

2018 está a terminar e poucas coisas ou não foram realizadas. A economia continua a aquecer o dia-a-dia dos fazedores e executores da política económico-financeira do Governo.

2018 está a terminar e poucas coisas ou não foram realizadas. A economia continua a aquecer o dia-a-dia dos fazedores e executores da política económico-financeira do Governo.
Apesar de sentirmos alguma melhoria, à luz das medidas rápidas para solucionar as questões operacionais do câmbio, o ano continuou com o “corre-corre” dos dólares/euros e a baixa do poder aquisitivo.
Os preços dos principais bens de consumo ainda são altos em comparação com os anos precedentes à crise económica e financeira que afectou Angola. A solução encontrada foi alargar-se o âmbito de aplicação do regime de preços vigiados, a fim de contribuir para a defesa do consumidor, sobretudo das camadas mais vulneráveis. Não sei se esta estratégia tem resultados, mas o Instituto de Preços e Concorrência (IPREC) diz que sim. É tarefa do Iprec, órgão afecto ao Ministério das Finanças, acompanhar, aplicar e fiscalizar a gestão das políticas de regulação do mercado e de defesa da concorrência, bem como apoio ao Executivo na função de coordenação e consistência das políticas de rendimento de preços.
A má ou boa nova é que na entrada de 2019, os funcionários públicos vêem um aumento salarial que o Governo ainda não definiu exactamente a percentagem do incremento para cada sector ou categoria.
Urge a divulgação pública dessas medidas para que saibamos de facto o indicador preciso da subida salarial.
Aos governantes recaem o ónus da responsabilidade: garantir a estabilização macroeconómica e o equilíbrio socioeconómico.Os indicadores só serão efectivamente consolidados se a populaçã0 sentir os seus efeitos, ou seja, as medidas devem ir ao encontro das expectativas da economia.
Combater a inflação e assegurar a estabilidade da moeda nacional e do seu poder de compra vão continuar a tirar o sono da nossa governação.
Nota-se algum esforço tendente à inversão da realidade económica, especificamente na definição de uma política cambial com base num regime de taxa de câmbio flexível controlada para alcançar uma taxa que equilibre o mercado cambial. Contudo, as medidas de política macroeconómicas apelam-se a serem mais sustentáveis.
Sobre a governação recaem a si ainda desafios colossais entre os quais a promoção do desenvolvimento sustentável e diversificado, com a inclusão económica e social, assim como a redução das desigualdades, a reforma do Estado, a boa governação e o combate à corrupção. Ainda surgem tarefas como estimular a transformação da economia, o desenvolvimento do sector privado e a produtividade e competitividade da economia, assim como a valorização do capital humano e a promoção do emprego qualificador e remunerador.
Cumprir-se a 100% se necessário for, acima da metade já satisfaria os anseios dos angolanos que estão expectantes que, até 2022, os problemas mínimos como acesso à energia eléctrica e água, saneamento básico e estradas “escoamento”, sejam assegurados. A nível da energia prometeu-se fazer 200 mil ligações por ano, sobretudo nas sedes de província.
A linguagem “ainda é cedo avaliar o desempenho do Governo” deve ser retirada dos players do mercado político-financeira. Cada minuto, hora ou segundo, devem ser bem aproveitados. João Lourenço já governou 457 dias dos 1.826 dias previstos até ao fim do seu mandato.
O seu Executivo tem de procurar trazer resultados. O ano de 2019 e mesmo em 2020 são períodos de consolidação governativa. Até 26 de Setembro de 2019, João Lourenço levará 730 dias na governação e até 26 de Setembro do ano seguinte 1.096 dias. O uso da calculadora ou colocar o relógio no pulso é agora, para a matemática das soluções que resultem em desvios da acção a que se propôs no acto da tomada de posse o Presidente da República. Como dizia, na altura presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, (...) A partir de hoje, abrem-se, aos seus pés e para os próximos cinco anos, uma via expressa para fazer o que prometeu aos angolanos”, tendo solicitado para que o PR corrigisse o que estivesse mal, e melhorasse o que estivesse bem, assim como combatesse a corrupção, fortalecesse o Estado Democrático e de Direito, diversificasse a economia e melhorasse a qualidade de vida dos angolanos.
Teremos em 2019 mais 365 dias. Aguardemos com expectativa.