Opinião

Acesso às escolas públicas sob suspeita de corrupção

As escolas do Ensino Médio Técnico de Saúde na Samba e no kilamba não têm vagas suficientes para atender a demanda, constatou o JE numa reportagem feita àquelas instituições,ambas da província de Luanda.

As escolas do Ensino Médio Técnico de Saúde na Samba e no kilamba não têm vagas suficientes para atender a demanda, constatou o JE numa reportagem feita àquelas instituições,ambas da província de Luanda.
As aulas começam em Fevereiro e o processo de inscrição já terminou com um grande número de alunos sem conseguir vaga.
Na ronda que o JE fez a Escola do Ensino Médio de Saúde (IMS) da Samba, uma das escolas mais “cobiçadas” em termo de cursos, em Luanda, os encarregados lamentaram as reduzidas vagas para novos candidatos, reclamando ainda da desorganização na selecção de candidatos.
No IMS Samba, houve apenas 400 vagas, para mais de 2.000 candidatos inscritos.
Os encarregados e alunos afirmam existir negócios para se conseguir lugar nesta instituição.
“O meu filho tem 15 anos e tem muito gosto no ramo da saúde, mas infelizmente o nome não saiu. Estão a pedir 300 mil kwanzas”, afirmou António Gonçalves.
De acordo com o encarregado, todas as instituições em que passou os seus responsáveis alegaram a falta de vagas para as incrições de novos alunos. Dizem estar a priorizar alunos que já se encontram no sistema de ensino escolar.
Um outro encarregado é de opinião que o governo aposte mais na construção de novas escolas para que possa suportar a demanda escolar que se regista todos os anos.
As vagas são na sua maioria distribuídas de forma anárquica com funcionários e professores a beneficiarem-se de uma vaga para algum familiar.
No entanto, caso não as preencham, vendem-nas num valor não inferior a 300 mil kwanzas.
O encarregado diz que este ano o cenário se manteve e as vagas tornaram-se mais difíceis por falta de escolas.
“É um acto recorrente, concretamente na província de Luanda e isso acontece por escassez de escolas”, sublinhou Domingos Alberto.
Tentamos ouvir algum responsável da instituição não tivemos sucesso.
A nossa equipa de reportagem constatou que a falta de vagas é comum em todas instituições públicas no princípio do ano lectivo.
A falta de vagas em instituições escolares é um problema recorrente, que deve ser cobrado ao Estado, pois a educação, mesmo não sendo obrigatória, é um direito de todos.
Dados dão conta que o município de Luanda tem o maior número de crianças fora do sistema público de ensino, com 10.432, seguido dos municípios de Viana com 7.245, Belas 6.511, Cacuaco 6.204, Icolo e Bengo 4.645, Cazenga 4.129 e Quiçama 2,099, segundo disse o director do gabiene provincial da educação de Luanda, André Soma, numa entrevista recente ao Jornal de Angola.
Disse na ocasião, que durante os últimos cinco anos foram construídas em Luanda 1.907 salas.
Luanda a província com a maior população estudantil, ainda não consegue absorver todas as crianças no sistema público de ensino por falta de estruturas apropriadas ou de salas de aula .

300
mil kwanzas
É o valor que está a ser cobrado no Instituto Médio de Saúde (IMS) da Samba para que os candidatos não aprovados possam frequentar aquela instituição.

50
mil kwanzas
É o valor que algumas escolas do ensino médio (II Ciclo do Ensino) cobram para a admissão de candidatos à margem do sistema, face à suposta escasssez de vagas.

25
mil kwanzas
É, por sua vez, o que escolas públicas do ensino primário em distritos e municípios de Luanda cobravam aos pais para a matrícula de novos alunos.

1,5
mil kwanzas
Valor autorizado para cobranças aos pais nas Escolas Comparticipadas (Infra-estrutura do Estado e gestão de privados).

10
meses
Corresponde ao período lectivo e que deverá também em 2018 abarcar os três trimestres que dividem o ano escolar.

35
estudantes
É o número de alunos que se orienta para preenchimento de cada sala, sobretudo no ensino primário e I Ciclo.