Opinião

A viragem necessária

Viragem é um dos títulos de uma das obras de Castro Soromenho. A narrativa é envolvente e de uma “realidade” que mistura o relacionamento entre colonizados e colonizadores, o incumprimento pelo pagamento de impostos por quem quase nada tinha e as chagas vividas nos campos de cultivo. Logo, um enredo que retrata a vida rural de um tempo “menos bom” e ligado à exploração colonial.

Viragem é um dos títulos de uma das obras de Castro Soromenho. A narrativa é envolvente e de uma “realidade” que mistura o relacionamento entre colonizados e colonizadores, o incumprimento pelo pagamento de impostos por quem quase nada tinha e as chagas vividas nos campos de cultivo. Logo, um enredo que retrata a vida rural de um tempo “menos bom” e ligado à exploração colonial.
Hoje a viragem da vida nos proporcionou uma Angola independente e que se quer próspera sob o ponto de vista económico. Mas ela deve continuar a ser contada, a produzir informação sobre a sua realidade. Como estão os grandes projectos económicos, em que situação se encontram hoje os pólos industriais espalhados pelo país adentro, como vai a agricultura, o comércio, enfim…
Para se ter uma resposta positiva e para se obter sucessos, precisa-se investir e ter estradas que levem rapidamente a cidade ao campo e vice-versa. Estamos no momento em que, por força da degradação, deixamos de ter boas estradas, embora se reconheça o interesse das coisas melhorarem. As principais estradas nacionais, como a número 100, 120 e 230 ainda não oferecem a tranquilidade e o conforto que se requere.
Entretanto, a circulação teimosamente continua. O movimento de viaturas com mercadorias é uma constante para encher o comércio de produtos que muito fazem falta à cidade. Quem produz e como produz?, eis a questão. Quem produz, sabe-se. Como o faz, tem sido o grande dilema. Continuam a existir muitas reclamações dos camponeses, das cooperativas e de empresários ligados ao campo.
A sua produção vezes há que se depara com problemas de escoamento, dos custos que ficam muito aquém dos benefícios, entre outros. Porém, as políticas de incentivo à produção nacional e a sua distribuição célere e com qualidade deve manter-se alta, com a bandeira hasteada.
E é viajando que se conhece o país. E sobre as belezas e encantos, está-se conversado. Sobre o seu solo e subsolo, também. Uma terra que tem tudo para dar resposta às necessidades. Basta querermos. Basta a nossa determinação em definitivamente colocar a economia de Angola ao serviço destes 28 milhões de habitantes.
Determinação é o que mais encontramos nas famílias camponesas que diariamente colocam os seus produtos junto às estradas. Estávamos em tempos a passar pelo Alto Catumbela e havia um mercado onde se podia comprar, entre outros produtos do campo, o mel em abundância.
Estando nesta região da Ganda, percebia-se que muito mais se poderia explorar mas o aparente aspecto desalentado que apresentava forçava a concluir que ou os projectos lá levados falhavam, ou não havia interesse de se lá investir para desinteressadamente servir o país.
O Alto Catumbela é conhecido pelo seu potencial em eucaliptos. Segundo investigação feita, diz que o Ministério da Indústria desenvolve, em Benguela, um estudo para futuramente instalar uma nova fábrica de produção de celulose e papel, presumivelmente no Alto Catumbela, onde se encontra a antiga, encerrada na década de 90. E assumia que a produção de matéria-prima está acautelada na base de um acordo estabelecido com o Fundo Soberano.
Acrescentava ainda que se estimava em dois anos o tempo para instalação de uma indústria de papel e outros oito para a produção total da matéria-prima, período no qual a madeira de eucaliptos estaria pronta para entrar no processo de fabricação de papel.
Entre os projectos, falou-se da construção de um centro de indústria florestal, reiniciar um sector económico completamente novo e replantar todas as áreas colhidas, o que trará benefícios a nível local e nacional,
conclui a informação.
São boas iniciativas e torná-las exequíveis melhor ainda. A questão que se coloca é saber qual é, neste momento, a actual realidade do Alto Catumbela? Que é uma região economicamente forte, os factos dizem que sim. Canalizados para aí os investimentos, realizadas as promessas, resolver-se-ía o problema do papel “feito em Angola” e muito mais. Ganha até o turismo, porque a Ganda tem fama de um bom lugar para se visitar e criar investimentos.