Opinião

A paz económica

Mais uma vez o assunto é a nossa economia. Como já é “habitué”, a equipa económica convocou a imprensa para apresentar o Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM). As propostas e os desafios enchem-nos de esperança sobre um quadro de vida económica real melhor, ou seja, na perspectiva de sempre a subir.

Mais uma vez o assunto é a nossa economia. Como já é “habitué”, a equipa económica convocou a imprensa para apresentar o Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM). As propostas e os desafios enchem-nos de esperança sobre um quadro de vida económica real melhor, ou seja, na perspectiva de sempre a subir.
No fundo é o que todos nós auguramos: subir. Estar bem de vida e afastarmos a miséria, a indigência e a fome. Aliás, propostas neste sentido ainda acompanham o nosso dia-a-dia. Para só lembrar, o Programa de Luta contra a Fome a Pobreza. Resumindo, há vontade. Queremos crescer e devolver a felicidade às famílias.
Entretanto, quando se olha e se acompanha os posicionamentos de quem entende de economia e informa à Nação, envolto no discurso técnico, a pergunta que não se cala é sobre o que afinal de contas se está a passar? Por que razão os especialistas têm muitas opiniões para um problema só? Quais as verdadeiras soluções macroeconómicas?
É evidente que havendo soluções, estas têm de partir das causas que derivaram, como um dia designou um político, a “derrapagem económica”? Andamos há muitos anos( esta é a sensação) parados no tempo. Nem água vai, nem água vem. Os vários grupos económicos de liderança, nos seus momentos de decisão, apresentaram as fórmulas ligadas às saídas virtuosas. E, no fim de tudo,
acabaram por ficar pelas intenções.
Mudaram-se governadores no banco central, ministros das finanças e fez-se hoje regressar José de Lima Massano. Na visão de muitos, protagonizou a grande “magia cambial”: manteve enquanto lá esteve a nota de cem dólares a 10 mil. Por cem mil Kwanzas adquiriam-se 1000 dólares. Foi bom de mais. Lisboa era o ponto de encontro. Quase nos atropelávamos no Colombo e nas casas nocturnas.
Chegou-se ao ponto de até no Rossio se procedia a troca do Kwanza. As circunstâncias obrigaram-nos a uma regressão. Muitos sustentam que motivada da queda do preço do petróleo. Mas há quem, entre os entendidos, que reprova esta tese. Defendem, estes, que nada tem a ver com a crise do preço do ouro negro. Dizem que os momentos menos bons que vivemos têm a ver com
a má gestão do dinheiro público.
Muitos apontam algum exercício de sobrefacturação em infraestruturas construídas “propositadamente” e citam os estádios de futebol do Can, os pavilhões do Afrobasket, o Multiusos, só para citar estes e que custaram “os olhos da cara” ao Estado. Há quem diga que não é em vão a questão ligada ao repatriamento de capitais. Para o censo comum, houve deliberadamente um arrombo às contas públicas e hoje a nossa economia ressente isto.
À equipa económica é chamada a responsabilidade de dar a volta ao texto e o programa intercalar é exemplo disto mesmo. As linhas mestras traçadas enchem-nos de aplausos mas é preciso que a sua concretização seja contínua. É preciso decidirmos se peixe ou se carne e sermos resilientes na actuação. Um economista nosso, mediático, afirmou que psicologicamente não estava preparado para comprar o dólar a 40 mil a nota de 100. Agora perguntamos: quem está preparado?
José de Lima Massano, no encontro de anteontem sobre o Programa de Estabilização Macroeconómica, anunciou a introdução de medidas para que seja o próprio mercado a regular a taxa de câmbio. Está-se a atirar a toalha ao tapete?! Está-se a criar um ambiente de valorização ao “Mártires de Kifangondo?!
Entretanto, seja lá o que for, a verdade é que o governador do BNA assumiu que o Kwanza não vai ser desvalorizado mas sofrer depreciação face a outras moedas. Mas uma vez se fica fechado na indecisão dos conceitos, sobretudo aos menos entendidos. E assim parece ficar difícil conduzir-se. Se vamos a esquerda ou se seguimos caminhando. A onda é deixar a vida nos levar, enquanto os experts nestas matérias arranjem as melhores magias para, de uma vez por todas, fazer reinar entre nós a paz económica.