Opinião

A Feira da odisseia

Benguela está em festa. Desde quarta-feira que está aberta a sétima edição da Feira Internacional de Benguela (FIB). Por esta altura, todos os caminhos vão dar ao Estádio de Ombaka, onde mais de 100 empresas nacionais e estrangeiras participam do evento, no âmbito das comemorações dos 400 anos da cidade.

Benguela é considerada a cidade mãe das cidades. Foi a 17 de Maio de 1617 que Manuel Cerveira Pereira, governador de Angola, entre 1615 e 1617, fundou a Baía de Santo António. E a data passou a constar como a da fundação
da cidade de São Filipe de Benguela.
Reza a história que Cerveira Pereira partiu de Luanda a 11 de Abril de 1617 à frente de uma força de 130 homens e rumou para Sul, ao longo da Costa até à Baía das Vacas. Alcançou-a a 17 de Maio. E fundou o Forte de São Filipe de Benguela, núcleo da povoação do mesmo nome que havia de ser a capital do novo domínio português ao sul de Angola, a Capitania de Benguela, administrada autonomamente entre 1617 e 1869.
Numa altura de escassez sob o ponto de vista financeiro, Benguela mesmo assim reuniu empresários e mobilizou a província para, uma vez mais, expor as suas potencialidades económicas.
Vale sempre o esforço, a abnegação ao trabalho quando os resultados são sempre em prol do crescimento económico. Vezes sem contas já se enalteceu o potencial agrícola das terras das Acácias Rubras e, uma vez mais, os produtores, os criadores e não só respondem aos desafios da diversificação.
Nesta altura, com certeza, há quem se pergunte se vale a pena a realização de um evento da envergadura da de Benguela, a priori, internacional? Numa altura em que a nossa indústria continua condicionada a uma distribuição melhor, ou quase assim, de energia eléctrica para que funcione sem limitações. Numa altura em que se clama por melhor abastecimento de água, enfim... A verdade é que não se pode baixar os braços, a espera que as coisas nos caiam na mão.
Como se apregoa: “Nada cai dos céus”.
Foi mais ou menos isto que deu a entender o governador de Benguela, Issac dos Anjos. No acto de abertura desta edição da FIB, ao convidar os empresários a investir na sua província, caracterizou a Feira de Benguela como sendo, “sem dúvida, uma odisseia em tempo de crise”. E pediu “a todos os empresários e colaboradores para mostrarem que é possível” a participação e realização desta. E que “mesmo a meio das dificuldades, continuar a expor, a apresentar aquilo que há de melhor e que as empresas podem fazer”. Disse ainda que Bengeuela continua abertas aos investidores.
No que o desenvolvimento diz respeito, não é remar contra a maré, é acreditar que é possível fazer-se muito, olhar verdadeiramente para a produção de bens e serviços mesmo em momento pouco adequado.
Benguela tem gente simpática, acolhedora e com vontade de servir. E a FIB espelha bem esta necessidade de se levar avante os projectos e os programas virados à estabilidade sócio-económica. A indústria mostra o ar da sua graça e a fábrica “África Téxtil” apresenta-se como cartão de visita. A pesca também é um sector de rendimentos que pode catapultar a província.
Sem falar do Corredor do Lobito.
Acreditamos sim que a aposta do Executivo no relançamento da agricultura esteja a dar os seus frutos e a fazer ressurgir a cintura verde benguelense. Logo, a realização da FIB joga sim um papel preponderante na dinâmica económica que se impõe. Incentiva os empresários, os agricultores e todos que buscam de Benguela uma oportunidade para empreender, concretizar sonhos e prosperar no mundo dos negócios e do bem servir a terra de Ombaka.