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Weah eleito na Libéria

Na carreira marcou mais de 280 golos e fez cerca de 600 jogos por equipas da Libéria, Camarões, França, Itália e Inglaterra, mas George Weah fez esta semana o golo mais importante da vida no pós-futebol.

Na carreira marcou mais de 280 golos e fez cerca de 600 jogos por equipas da Libéria, Camarões, França, Itália e Inglaterra, mas George Weah fez esta semana o golo mais importante da vida no pós-futebol.
Deixando de parte a coroação, em 1995, de Bola de Ouro e melhor futebolista do mundo da Fifa, Weah cumpre o sonho que em 2005 e 2011 levaram-no a concorrer à presidência da Libéria, seu país natal. Para a glória, a promessa do futebolista que mereceu a confiança dos conterrâneos foi melhor educação e mais emprego, sobretudo aos jovens.
Depois de uma primeira volta das eleições presidenciais contrurbadas e que ficou marcada por protestos de fraude pelos opositores, a estrela do futebol liberiano e mundial é o grande vencedor da segunda volta das eleições de terça-feira (26 de Dezembro), tornando-se assim no segundo presidente democraticamente eleito na Libéria.
Para a história os falhanços eleitorais de 2005 e 2011. O ex-futebolista e candidato do Congresso para a Mudança Democrática (CDC, na sigla em inglês) já havia sido o mais votado da primeira ronda das eleições presidenciais, realizada a 10 de Outubro, tendo captado 39 por cento dos votos, e com isso adquiriu o bilhete para a segunda e derradeira volta em concorrência com o até então vice-presidente Joseph Boakai, que ficara nos 29,1 por cento.

A trajectória para o sucesso

George Weah fala ao ouvido da população como o rapaz do bairro de lata que venceu na vida pelo seu esforço e dedicação ao trabalho, e como o candidato antissistema, representante dos liberianos autóctones.

Lata e luxo na história do craque

A glória de King George nos relvados valeu-lhe, para além do sucesso desportivo, uma carteira bem recheada, pelo que mesmo o regresso à paupérrima Monróvia, finda a carreira desportiva aos 37 anos, não o fez abdicar dos luxos com que vivia na Europa e nos Emirados - onde passou os últimos dois anos a viver num palácio do emir, com um salário bruto de 4,5 milhões de euros.
Na capital da Libéria, onde refugiados de guerra erravam pelas ruas esburacadas e prédios destruídos, Weah mandou erguer uma enorme mansão para viver, com campos de futebol e basquetebol, piscina e espaço para abrigar a sua colecção de carros de luxo.
O sucesso de Weah foi favorecido, desta vez, com a saída de Ellen Johnson Sirleaf.
E com um curso de Gestão pela Universidade de Illinois, dos Estados Unidos, no bolso, Weah apresentou-se de novo nas urnas, desta vez como candidato a vice-presidente nas eleições de 2011. Os homens do CDC voltaram a ser derrotados por Sirleaf, mas o novo falhanço eleitoral viria a ser ‘suavizado’, com uma estrondosa vitória em 2014, com 78 por cento dos votos, na corrida ao cargo de senador do condado de Montserrado, contra o próprio filho da presidente da Libéria.

Perfil do vencedor

George Tawlon Manneh Oppong Ousman Weah nasceu a 1 de outubro, em Monróvia, capital da Libéria e foi nos bairros de lata de Bushrod Island que, criado pela avó, começou a dar os primeiros toques na bola. “Jogávamos descalços e havia sempre o risco de alguém pisar uma garrafa partida, ou um prego, e sair do campo a chorar. São essas as recordações que guardo”, contava o próprio num documentário emitido em 2013 pela CGTN África.
O novo presidente sucede a Ellen Johnson, a única mulher eleita Chefe de Estado em África e que foi também prémio Nobel da paz em 2011.
E se os números contam para todas as estatísticas, vale referenciar que George Weah é também o primeiro futebolista profissional que abraça a carreira política e chega a presidência de um Estado, quanto mais não seja, através de eleições democráticas.
* com Agências