Mundo

Reino Unido volta a estar mais dividido

Os resultados definitivos das eleições legislativas no Reino Unido começam a ser conhecidos esta manhã depois de as urnas terem fechadas ontem às 22 horas locais, para que todos os eleitores pudessem votar depois do trabalho. A apuração será demorada e a decisão final sobre as cadeiras só deve sair no fim da tarde desta sexta-feira.

Um total de 46,9 milhões de eleitores foram assim chamados para determinar qual o governo que vai negociar a saída do Reino Unido da União Europeia. Ao todo, concorreram 3.303 candidatos em 650 círculos uninominais, distribuídos por Inglaterra (533), Escócia (59), Irlanda do Norte (18) e País de Gales (40).
As eleições foram antecipadas pela primeira-ministra britânica, Theresa May, líder do partido Conservador, que invocou a necessidade de legitimar o seu plano para negociar o ‘Brexit’. Estas poderão indicar a tendência dos votos, mas nem sempre têm acertado no resultado, pelo que os analistas políticos têm sido cautelosos nas suas projecções. O partido Trabalhista reduziu nos últimos meses a desvantagem nas intenções de voto face ao partido do Governo, tornando o desfecho incerto.
O partido de Theresa May propõe no seu programa uma visão para construir um “Reino Unido mais forte, mais justo, mais próspero”, apostando na “meritocracia” para promover a mobilidade social no país e no intervencionismo económico para reduzir desigualdades.
A noção do Estado como “força do bem” distancia o partido do liberalismo de antecessores, como David Cameron ou de Margaret Thatcher, e faz o partido avançar para o que alguns analistas chamam de “mayismo’.
May promete mais investimento na educação, mas as políticas de abrir mais escolas selectivas e de passar a oferecer pequenos-almoços gratuitos nas escolas em vez de almoços têm causado controvérsia.
May invoca que só ela oferece um “governo forte e estável” para liderar o processo, o qual, advertiu, poderá ser ameaçado se for negociado pelo partido Trabalhista de Jeremy Corbyn que, pelo contrário, não admite sair da UE sem um acordo.
Resignado a implementar o ‘Brexit’, o líder do ‘Labour’ quer garantir um entendimento “que proteja empregos e acesso ao mercado único”, não se comprometendo a nenhum número em termos de redução da imigração.
Sob o lema de “construir um Reino Unido que funcione para a maioria, não para a minoria”, Corbyn é mais radical noutras políticas propostas no programa eleitoral, nomeadamente o fim das propinas nas universidades, introduzidas pelo ‘Labour’ em 1998, e quer nacionalizar de novo setores como os caminhos de ferro e a energia.