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Reino Unido está desalinhado das regras da União Europeia

E mpresas do Reino Unido passam a ajustar-se, a partir de hoje, à realidade pós-Brexit, apesar de alertas sobre custos e interrupções.

E mpresas do Reino Unido passam a ajustar-se, a partir de hoje, à realidade pós-Brexit, apesar de alertas sobre custos e interrupções.
O ministro das Finanças do Reino Unido, Sajid Javid, descartou apelos para que as empresas nacionais se alinhem às directrizes da União Europeia (UE) depois do abandono. “Não haverá alinhamento, não haverá adopção de regras, não ficaremos no Mercado Único e não ficaremos na União Aduaneira (...)”, declarou.
Diversos sectores da economia britânica têm instado o Governo a alinhar-se com as normas da UE, para simplificar os controlos fronteiriços pós-Brexit. Sajid Javid rebateu que as firmas devem ajustar-se à realidade do Brexit e que houve três anos para se preparar.
Os sectores que vão sofrer os maiores impactos são o farmacêutico, automobilístico, aeroespacial e de alimentos e bebidas.
O dia marcado para o Reino Unido se desligar da UE é hoje e ambas as partes têm um período de transição que vai até o fim do ano, visando estabelecer um acordo que regule a futura relação comercial. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson já disse que não vai pedir qualquer prorrogação, mas Bruxelas considera irreal um acordo comercial novo pronto e aprovado dentro de 11 meses.
O número de anúncios de empresas que pensam deslocar os seus negócios para fora do Reino Unido por causa do Brexit abrandou e algumas já mudaram de estratégia.
O boletim do índice de monitorização da consultora Ernst & Young (EY), de Janeiro, observou uma pausa dos anúncios de mudanças dos seus negócios, em resposta ao Brexit entre Julho e Dezembro de 2019, período que coincide com a entrada em funções do primeiro-ministro Boris Johnson.
“O silêncio sobre novos anúncios a nível operacional contrasta com o aumento de empresas que fizeram anúncios públicos com objectivos específicos durante as negociações do Brexit”, constatam os autores da análise.
O boletim recorda que das 222 empresas de serviços financeiros, como bancos, seguradoras e gestoras de fundos, que o índice acompanha, 41 por cento afirmaram que planeavam mudar operações ou funcionários para a União Europeia (UE), para manter o acesso ao mercado único.
A consultora estimou em sete mil o número de postos de trabalho que podem ser transferidos do centro financeiro de Londres para a UE e em um bilião de libras (1,2 biliões de euros) o valor dos activos a acompanhá-los.
Dublin, Frankfurt ou Luxemburgo são os principais destinos destas empresas, cujo sector representa 6,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) britânico, 1,1 milhão de postos de trabalho e 29 mil milhões de libras (34,4 mil milhões de euros) em receitas fiscais.