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Mais rico de África no combate à fome

A Fundação Aliko Dangote, a mais rica da África, comprometeu-se a investir 100 milhões de dólares em cinco anos para enfrentar a desnutrição nas partes mais afectadas da Nigéria.

A Fundação Aliko Dangote, a mais rica da África, comprometeu-se a investir 100 milhões de dólares em cinco anos para enfrentar a desnutrição nas partes mais afectadas da Nigéria.
Dangote fez essa promessa na Cúpula Global de Nutrição 2017 realizada em Milão, na Itália. “A alta taxa de desnutrição da Nigéria está a prejudicar o progresso no sentido da melhoria da saúde e da sobrevivência da criança e a prejudicar o desenvolvimento económico”, disse Zouera Youssoufou, directora-gerente e CEO da Aliko Dangote Foundation.
O evento convocou governos, agências internacionais, fundações, organizações da sociedade civil e empresas para acelerar a resposta global à desnutrição, uma causa subjacente de quase metade de todas as mortes infantis globais.
A edição deste ano foi realizada em estreita parceria com várias partes interessadas internacionais, incluindo o Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), a Organização Mundial de Saúde, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Coligação Internacional sobre Advocacia para Nutrição.
Entretanto, o combate à fome não é a única frente do homem mais rico de África, uma autêntica celebridade no continente onde nasceu. Presença frequente em programas de televisão e nas páginas de jornais e revistas, Dangote é uma estrela das palestras em escolas e universidades, onde tem oportunidade de falar sobre o futuro para o seu público preferido: os jovens.
Dangote é conhecido como o Bill Gates africano. Com uma fortuna estimada em 13,8 mil milhões de dólares disse, em 2007, estar “mais rico do que Oprah Winfrey”, a célebre animadora do ‘talk-show’ norte-americano. “Não diria eu próprio que sou o homem mais rico de África. Deixaria isso à revista Forbes para o fazer”, declarou o magnata numa entrevista ao diário nigeriano Daily Sun.
Originário do norte da Nigéria, Dangote está presente em quase todos os sectores da economia nigeriana, nomeadamente o petróleo, o cimento, a farinha, o açúcar, o arroz, os transportes e os seguros. Apesar de ser o número um do continente africano e o 105º na lista do mais ricos do mundo (‘ranking’) da revista Forbes, o grupo Dangote facturou apenas 615 milhões de dólares no final de 2016, muito longe do recorde de três mil
milhões de dólares em 2010.
Este conglomerado foi fundado graças a um empréstimo recebido de um tio no final da década de setenta. O seu bisavô materno, um comerciante, também era considerado um dos homens mais ricos da África quando morreu, em 1955.
Apesar de ter nascido numa família abastada deu início à sua trajectória empresarial de forma modesta. Aos 24 anos, abriu uma pequena empresa de ‘trading’ de açúcar e produtos alimentares. Hoje em dia, várias empresas que fundou estão listadas na Bolsa de Valores da Nigéria e em sectores sensíveis à ascensão dos consumidores africanos.
A Dangote Cement representa cerca um terço do total de activos negociados na bolsa nigeriana. O grupo está a terminar novas fábricas na Zâmbia, na Tanzânia, no Congo e na Etiópia, além de terminais para escoamento da produção na Serra Leoa, na Costa do Marfim e na Libéria.
“Todos os meus investimentos estão em África. Sou africano e acredito — muito — no meu continente. Tenho certeza de que este é o melhor lugar do mundo para ganhar dinheiro”, disse.
No entanto, em entrevista à Bloomberg, já assumiu a vontade de apostar na Europa e nos Estados Unidos nos próximos anos.