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Macron e May com resultados em contramão

A decisiva vitória dupla da República em Marcha, de Emmanuel Macron, frente à Frente Nacional (FN), de Marine Le Pen, tanto nas eleições presidenciais como no primeiro turno das legislativas, pode ser interpretada como uma nova manifestação da rejeição às extremas-direitas europeias.

Já no Reino Unido, o eurofóbico Ukip acabou na semana passada quase a pagar com o seu desaparecimento pelas mentiras e manipulação eleitoral a favor do Brexit.
Mas as semelhanças terminam praticamente aqui. De concreto, quando a primeira-ministra Theresa May convocou eleições antecipadas em Abril, o candidato a presidente da França, Emmanuel Macron, enfrentava a perspectiva de ter que governar
com minoria parlamentar.
Enquanto o partido de centro do presidente da França está a caminho de uma vitória arrasadora nas eleições legislativas do país, cujas projecções apontam que o República em Marcha deve conquistar 445 das 577 cadeiras na Assembleia Nacional, o partido conservador da primeira-ministra britânica Theresa May perdeu a maioria absoluta no Parlamento com os resultados das eleições
gerais da semana passada.
Já esta semana, Theresa May esteve na reunião do Comité 1992, o grupo parlamentar do partido conservador, e voltou a pedir desculpas pelo resultado eleitoral que custou a maioria absoluta ao partido e deixou uma promessa: “Meti-vos nesta confusão, vou tirar-vos dela”.
A primeira-ministra britânica convocou as eleições com a ideia de uma saída “dura” da União Europeia e viu as urnas deixarem a sua base parlamentar menor. Isso terá consequências para as negociações com Bruxelas.
Theresa May não precisava ter convocado essas eleições. Ela queria, como as pesquisas de opinião mostravam ser possível, ampliar a sua bancada no Parlamento.
Diferente de May, o partido centrista de Emmanuel Macron dirige-se para uma vitória esmagadora na Assembleia Legislativa, um factor decisivo para a aplicação das suas reformas económicas e sociais, muito esperadas pelos parceiros europeus.
Durante a votação marcada por uma abstenção recorde (51,29 por cento), o movimento presidencial a República em Marcha varreu os partidos tradicionais no primeiro turno das legislativas, com 32,3 por cento dos votos, superando com folga a direita (Os Republicanos, 21,5), a extrema-direita de Marine Le Pen (Frente Nacional, 13,2) e a esquerda dividida entre diferentes correntes, segundo os resultados definitivos.
Ao contrário dos partidos de oposição, as pessoas próximas ao chefe de Estado interpretam o resultado desta primeira volta como uma mensagem de apoio ao programa de Macron.