Mundo

Liceu francês estuda museu

Os alunos do curso Pré-Universitário do Liceu Francês Alioune Blondin Beye (Escola Francesa de Luanda) visitaram, esta semana, a cidade de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire.

Os alunos do curso Pré-Universitário do Liceu Francês Alioune Blondin Beye (Escola Francesa de Luanda) visitaram, esta semana, a cidade de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire.
O objectivo didáctico foi o de aprofundar os conhecimentos sobre o património histórico e cultural da cidade de Mbanza Kongo, em cumprimento do programa de ensino do Liceu nas disciplinas de História, Geografia, Português, Biologia e História da Arte.
Durante a sua estadia em Mbanza Kongo, os alunos do Liceu Francês de Luanda participaram nas conferências sobre a história do antigo Reino do Kongo e no encontro sincrético sobre as civilizações Kongo e católica, bem como sobre a expansão das plantas de cultivo.
O sítio patrimonial de Mbanza Kongo obteve o reconhecimento internacional quando foi declarado no passado mês de Julho Património Mundial da Humanidade.
O Centro Histórico da Cidade de Mbanza Kongo ganhou o estatuto de Património Mundial a 8 de Julho, no âmbito da 41ª sessão do Comité do Património Mundial, que decorreu na cidade de Cracóvia, na Polónia.
Ao longo da época colonial, a cidade conheceu várias designações, tendo se destacado a denominação de São Salvador do Kongo, nome que os portugueses haviam atribuído segundo o seu desejo, já como potência colonizadora.
De acordo ainda com a sua génese histórica e cultural, a designação de relevo de Mbanza Kongo, na altura, foi a de Kongo dya Ntotela, símbolo de unidade e indivisibilidade dos bakongos, como o próprio nome indica.
Desde a fundação do Reino do Kongo, a cidade de Mbanza Kongo foi a sua capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e a sua corte, e como tal o centro das decisões.
Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da costa ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativos) e quatro mil europeus.
Com o seu declínio, a cidade que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro”, transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico kikongo e albergou as Repúblicas de Angola, Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.
Com uma superfície de sete mil 651 quilómetros quadrados, Mbanza Kongo é limitado a norte com o município do Kuimba e pela RDC, a sul e a este, com a província do Uíge, e a oeste, com os municípios do Tomboco e Nóqui.
Localizada a 472 quilómetros, a norte, da capital angolana (Luanda), a cidade de Mbanza Kongo conta com uma população estimada em 155 mil 174 habitantes (dados do último censo) e possui cinco bairros: Sagrada Esperança, 4 de Fevereiro, 11 de Novembro, Álvaro Buta e Martins Kidito. O kikongo é a língua predominantemente falada pelos seus habitantes.
O futuro estatuto prevê a mudança de categoria de Museu dos Reis do Kongo para Museu do Antigo Reino do Kongo, abrangendo toda a diversidade do património material e imaterial produzido naquela época (desde o século XIII).
O Museu dos Reis do Kongo conta, actualmente, com 114 peças museológicas que retratam os hábitos, usos e costumes dos autóctones, assim como objectos pessoais dos soberanos do antigo Reino do Kongo, cuja missão é a contínua educação da população sobre o papel de que se reveste este património histórico, com vista a engajar-se mais na conservação e divulgação da sua importância histórica. O mesmo foi reaberto em 2007, após beneficiar de obras de reabilitação.