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Grécia precisa de novo aporte financeiro para pagar contas e manter compromissos

A ajuda ao governo grego tem fim previsto para Agosto de 2018 e pairam dúvidas se o país terá capacidade de fechar as contas sozinho ou precisará de novos aportes financeiros e manter os compromissos actuais.

A ajuda ao governo grego tem fim previsto para Agosto de 2018 e pairam dúvidas se o país terá capacidade de fechar as contas sozinho ou precisará de novos aportes financeiros e manter os compromissos actuais. O recurso ao mercado é um primeiro passo para a recuperação do país, mas há cepticismo sobre a capacidade de cumprir as metas do pagamento da dívida que, no total, supera os 320 mil milhões de euros que recebeu da UE e do FMI.
A situação grega era mais grave que a portuguesa e com um défice fiscal mais alto, por este motivo, não teve a mesma sorte que Portugal. Os gregos fizeram alterações da sua contabilidade interna e enfrentavam sérios problemas de confiança dos mercados. Tudo isso contribuiu
para a derrocada ecnómica.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o défice grego teve pico de 15,9 por cento do PIB em 2009, período em que Portugal registou apenas 10 por cento. Um ano depois, foi descoberta uma manipulação das estatísticas económicas da Grécia para esconder o buraco nas contas públicas.

Ajuda próxima do fim
O pacote de ajuda que foi concedido à Grécia em 2015, e que está em vigor actualmente, foi o mais polémico dos três planos de socorro do país por ter sido negociado pelo actual primeiro-ministro, Alexis Tsipras. O político foi eleito por um partido de esquerda prometendo romper com a União Europeia, mas acabou por adoptar um plano semelhante ao dos seus antecessores.
A dívida pública continua perto dos 180 por cento do PIB, o que torna arriscado emprestar mais dinheiro para o país. Quanto maior o risco, maiores os juros exigidos pelas instituições credoras. Numa análise publicada pelo jornal britânico The Guardian, a consultoria Capital Economics pondera que, sem um alívio por parte dos credores europeus nas dívidas actuais, a Grécia dificilmente conseguirá auto-financiar no mercado financeiro. Nesse caso, outro pacote de resgate seria necessário para reverter a situação.
Desde 2010, a Grécia já recebeu 326 mil milhões de euros em financiamentos da troika nos chamados pacotes de resgate desenhados especificamente para evitar que o colapso do país comprometesse toda a Zona do Euro. Em troca do financiamento, as entidades exigem do governo grego sucessivas medidas de controlo dos gastos públicos, que têm afectado os salários e serviços oferecidos à população nos últimos anos, uma situação que não mudou com um governo de esquerda.

Situação díficil
O problema fiscal é um dos principais motivos da crise na Grécia, mas é apenas uma das facetas da gravíssima recessão de que o país vive desde 2009. A situação para a população ainda é muito má, embora Alexis Tsipras vê progressos, como a melhoria da perspectiva da nota do país pela agência de risco Standard & Poor’s. A nota da dívida grega é “B-”, seis degraus abaixo do grau de investimento.
O caminho escolhido pelo governo é de tentar controlar o défice das contas para criar as condições para sair da recessão. Em 2016, o país teve superávite primário de 3,9 por cento do PIB, isso significa que a arrecadação do país foi maior que os gastos primários - que não incluem o pagamento de juros da grande dívida grega. Desde que a crise começou, o PIB da Grécia já diminuiu 30 por cento, pois significa que o país produziu em 2016 muito menos do que produzia
antes do início da recessão.