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Emissões de dívida abrandam em África

A emissão de títulos de dívida em África caiu em 2016 pelo terceiro ano consecutivo, para oito mil milhões de dólares norte-americanos, arrastada pela descida do preço do petróleo e pelo abrandamento económico, segundo a Moody’s.

De acordo com um relatório sobre a emissão de títulos de dívida soberana nos últimos anos, o abrandamento “coincidiu com a descida dos preços das matérias-primas, o crescimento económico mais fraco e as crescentes expetativas de restrições na política
monetária norte-americana”.
O relatório, que usa os dados da consultora Dealogic, diz que “apesar das necessidades de manter as reservas externas, controlar os défices orçamentais e melhorar as infraestruturas, a emissão de dívida deve manter-se abaixo do recente pico, num contexto de recuperação económica relativamente fraco e preços estáveis nas matérias-primas”.
Em 2013, os países africanos emitiram 21,2 mil milhões de dólares em títulos de dívida soberana, caindo para apenas oito mil milhões no ano passado, numa lista onde só a África do Sul representa cerca de metade destas emissões.
“Apesar de a emissão de títulos soberanos ter aumentado este ano, a emissão por instituições financeiras e empresas africanas continua fraca, e deverá manter-se bem abaixo do pico de 2013 a curto prazo, o que é consistente com a nossa expetativa de que o Produto Interno Bruto em África vá manter-se abaixo da média do período antes da crise e vai gradualmente recuperar para quatro por cento em 2018”.
Segundo a previsão da agência Moody’s, “os governos africanos vão continuar a recorrer aos mercados estrangeiros”, privilegiando as emissões em moeda externa devido à volatilidade das moedas nacionais.
“Os governos africanos precisam de financiamento significativo para um conjunto de necessidades que inclui despesa em infraestruturas e o financiamento dos desequilíbrios orçamentais, bem como para estabelecer um valor de referência para os emissores nacionais e mercados locais”, escrevem os analistas da Moody’s, que concluem que desde 2000 os governos africanos já emitiram mais de 71 mil milhões de dólares norte-americanos em dívida pública.