Mundo

Cortes nos gastos na Espanha e o investimento em tecnologia na Irlanda mudou o rumo da crise

O corte de gastos públicos e a instabilidade laboral passaram a fazer parte da vida de milhões de espanhóis e estrangeiros residentes no país. A economia tinha subido numa montanha russa assustadora: ora subia e ora baixava a toda velocidade desde 2009.

O corte de gastos públicos e a instabilidade laboral passaram a fazer parte da vida de milhões de espanhóis e estrangeiros residentes no país. A economia tinha subido numa montanha russa assustadora: ora subia e ora baixava a toda velocidade desde 2009.
Infelizmente, a Espanha ainda está em recessão económica, mas não como nos anos anteriores, apesar de a economia manter no segundo trimestre o ritmo de crescimento de 0,7 por cento, mas o consumo privado começa a dar sinais de quebra e a boa notícia é a retoma do investimento empresarial.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a previsão de crescimento da economia espanhola para 2017 era de 3,1 por cento, demonstrando que a recuperação do país é real e diferente da Grécia e de Portugal. Os dados estatísticos comprovam ainda que a Espanha finalmente já apresenta números económicos positivos, algo que não acontecia desde 2008, e isso significa que por fim o país cresceu, alcançando níveis prévio a chegada
da crise na Espanha.

Sucesso Irlandês
Definitivamente, a Irlanda parecer ter virado a página da grave crise política e da austeridade que enfrentou a partir de 2008. O país, que foi obrigado a recorrer a um plano de ajuda europeu de 85 mil milhões de euros em 2011, teve um crescimento de 5,2 por cento em 2016, constituindo assim, um exemplo distinto que, paradoxalmente, é quase oposto aos efeitos causados nas economias portuguesa e grega. De certo modo, a aquele país foi vítima do seu explosivo crescimento económico interno.
Por este motivo, a crise da Irlanda nunca foi verdadeiramente económica e a sua produtividade não deixou de ser uma das mais altas do mundo. O seu problema súbito foi a falta de liquidez dos bancos.
Consequentemente, a resolução da crise irlandesa consistiu essencialmente numa enorme injecção de capitais no sistema bancário. Como (contrariamente a Portugal), a economia irlandesa continua a ser vibrante, moderna e eficiente, ela rapidamente retomou a anterior pujança após a recapitalização do sistema financeiro e o forte investimento na educação e tecnologias inovadoras.
Para o caso irlandês, foram necessários recursos de emergência na ordem de 45 mil milhões de euros, o que deixou um défice no orçamento do governo o equivalente a 32 por cento do PIB em 2018.