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Comércio Livre começa em Março

A ambiciosa iniciativa será uma componente-chave na estratégia da União Africana (UA)
cuja missão será a de aumentar as trocas intra-regionais e fortalecer as economias

No próximo mês de Março será lançada em Kigali, no Rwanda, a tão esperada Zona de Comércio Livre (ZCL) da União Africana (UA), destinada a aumentar as trocas intrar-regionais no continente africano, anunciou a ministra rwandesa dos Negócios Estrangeiros, Louise Mushikiwabo, num comunicado transmitido,
na passada terça-feira à PANA.
A ZCL proposta será uma componente-chave da estratégia da UA para aumentar as trocas comerciais na região em pelo menos 25 a 30 porcento,
nos próximos 10 anos, disse.
A conclusão do novo acordo aconteceu segunda-feira à margem da 30ª cimeira ordinária dos chefes de Estado da UA, em Addis Abeba, na Etiópia, depois da aprovação pelos governos africanos do Protocolo sobre a Livre Circulação de Pessoas e Bens e do lançamento oficial do Mercado Único
do Transporte Aéreo Africano.
“Uma ZCL continental deverá ser lançada durante uma cimeira extraordinária dos chefes de Estado em Março”,
declarou a ministra rwandesa.
Esta nova iniciativa é adoptada cinco anos depois de os chefes de Estado e de Governo se comprometerem a reforçar a integração regional e aumentar o comércio intra-africano.
A ZCL reunirá cerca de 53 países africanos com uma população de quase um bilião de habitantes.

Angola favorável
O ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, saudou, na passada segunda-feira, os líderes africanos pela aprovação do Relatório sobre a Zona de Comércio Livre (ZCL) em África, que considerou fundamental para “incrementar o comércio interafricano”.
Falando à imprensa angolana, em Addis Abeba, à margem da 30ª cimeira ordinária dos chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), que encerrou no mesmo dia, o governante disse que o relatório apresentado durante os trabalhos
“correspondeu às expectativas”.
O processo de implementação da Zona de Livre Comércio em África “está praticamente concluído”, afirmou o chefe da diplomacia angolana, acrescentando que, muito brevemente, a execução deste “importante mecanismo” permitirá melhorar a circulação de pessoas e bens.
Manuel Augusto entende que esse instrumento vai beneficiar os produtores africanos e fazer os produtos de África chegarem à mesa de vários países a custos mais baixos.
Afirmou que uma outra decisão importante tomada pelos chefes de Estado e de Governo foi a aprovação do Relatório sobre o Mercado Comum da Aviação em África, que se prevê vir a ser um instrumento valioso para
a livre circulação no continente.
“Esse instrumento constituirá uma mais-valia para o desenvolvimento económico de África, nomeadamente
na área do turismo”, afirmou.

Balanço da cimeira
Num balanço da participação de Angola na cimeira, cuja delegação foi chefiada pelo Presidente da República, João Lourenço, o governante disse ter sido “muito activa”, sublinhando que a presença angolana no evento ficou valorizada pela “estreia” do novo chefe de Estado.
“Havia muita expectativa, mas foi satisfeita, porque o Presidente João Lourenço fez dois pronunciamentos – um na sessão à porta fechada e outro na qualidade de um dos Presidentes mais novos, feito em plenária, e que foram altamente apreciados”, disse.
Segundo Manuel Augusto, a intervenção do chefe de Estado Angolano na sessão à porta fechada foi fundamental para a aprovação do Programa de Reformas Institucionais da UA.
Sublinhou que a participação de Angola foi exitosa e mereceu muitos elogios dirigidos ao Presidente João Lourenço,
“aspeto que encoraja Angola”.
“Estamos no bom caminho e vamos procurar continuar a dar a nossa a contribuição para uma África cada vez melhor”, concluiu o ministro Manuel Augusto.
A 30ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da UA decorreu sob o lema “Vencer a Luta Contra a Corrupção: Um Caminho Sustentável para
a Transformação de África”.

MOCAMBIQUE  APRESENTA
SOLiDEZ NO SISTEMA FINANCEIRO

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, destacou os avanços alcançados no quadro da recuperação económica que conheceu o ponto mais alto em 2016, com o aumento substancial do custo de vida.
Na abertura do 42º Conselho Consultivo que decorreu na cidade de Lichinga, em Niassa (Moçambique), sublinhou que o evento se realiza num ambiente económico marcadamente distinto do que caracterizou a edição do ano passado.
O governador  recordou que “quando nos reunimos em Maputo, em finais de Janeiro de 2017, enfrentávamos uma inflação alta, em torno de 25 por cento, ainda que em trajectória descendente, após as medidas vigorosas que havíamos tomado em finais do ano anterior”.
Zandamela destacou também que em 2017, a inflação acumulada e homóloga recuou para 5,65 por cento e a taxa média anual para 15,1 logrando, deste modo, colocar a inflação no nível estabelecido pelos compromissos de convergência nominal acordados pelos países da SADC.
Ainda no ano passado, o Metical mostrou-se estável em relação às principais divisas transaccionadas no mercado cambial moçambicano. Após ter atingido o pico 80 meticais por cada dólar norte-americanos em Setembro de 2016, em Dezembro do ano passado foi cotado, em média, a 58,8 meticais.
O défice da conta corrente reduziu em 1.740 milhões de dólares, e as nossas reservas internacionais brutas aumentaram para um saldo de aproximadamente 3,3 mil milhões de dólares, suficientes para fazer face a mais de sete meses de cobertura de importações de bens e serviços não factoriais, excluindo as transacções dos grandes projectos. Em finais de 2016 a capacidade de cobertura era de menos de três meses.

BAD EMPRESTA MILHÕES À TUNÍSIA
A ajuda visa apoiar o orçamento de 2018

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disponibilizará 462,5 milhões de dólares norte-americanos à Tunísia para apoiar o seu orçamento em 2018, anunciou, recentemente, num comunicado o Ministro tunisino do Desenvolvimento, Investimento e Cooperação Internacional, Zied Laadhari.
O programa de cooperação entre ambas partes em 2018 será baseado no financiamento de vários projectos nos domínios do Saneamento, Electricidade, e Desenvolvimento agrícola integrado na região de Zaghouane, no noroeste do país, e no apoio ao sector privado e orçamento,
acrescentou o comunicado.
O ministro tunisino do Desenvolvimento, Investimento e Cooperação internacional, Zied Laadhari, reuniu-se, em Túnis, com o vice-presidente do BAD encarregue do Desenvolvimento Regional
e Integração, Khaled Chérif.
Os dois interlocutores evocaram durante o encontro o programa de cooperação de 2017 que abrangeu vários projectos, incluindo a agricultura, a tecnologia, as telecomunicações,  infra-estruturas, a educação e o apoio ao orçamento.
O BAD concedeu dois empréstimos à Tunísia avaliados em 144 milhões de Euros em Dezembro último para financiar empreendimentos como as novas tecnologias de
informação e comunicação.
O volume das contribuições do BAD para projectos no sector de transporte tunisino estima-se em sete biliões e 200 milhões de dólares americanos durante os 50 anos da existência da instituição, e já permitiu realizar vários empreendimentos, nomeadamente rodoviários, aeroportuários e ferroviários, refere-se.