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Chefes de Estado e de Governo de África defendem reforma mais inclusiva na ONU

Ao discursarem na tribuna da 72.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, os representantes africanos, incluindo Chefes de Estado e de Governo, voltaram a defender uma maior atenção às questões que afligem não apenas aos africanos, mas também o mundo, em geral.

Ao discursarem na tribuna da 72.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, os representantes africanos, incluindo Chefes de Estado e de Governo, voltaram a defender uma maior atenção às questões que afligem não apenas aos africanos, mas também o mundo, em geral.
Para os líderes africanos, é chegada a hora de se ouvir a voz de África no que diz respeito a assuntos que preocupam a humanidade, porque, afirmam, somos poucos para garantir a paz e concórdia entre os povos.
“A preservação da estabilidade e segurança mundial deve ser uma preocupação de todas as nações, independentemente dos recursos que estas possam ter”, afirmam peritos
reunidos em Nova Iorque.
No seu discurso, quinta-feira última, diante da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o Presidente zimbabweano, Robert Mugabe, advertiu que sem uma cooperação internacional e uma reforma profunda do sistema internacional, a disparidade entre os ricos e os pobres persistirá.
O líder zimbabweano admitiu que a agenda 2063 da Organização das Nações Unidas para um desenvolvimento sustentável é “ambiciosa, revolucionária, transformadora, universal por incluir todas as facetas da vida humana”, mas frisou, no entanto, que o seu êxito exige “uma mudança de paradigma radical e sem precedentes”.
“Para nós em África, o actual sistema é caduco e perpetua uma injustiça histórica que, de maneira alguma, não se pode justificar hoje”, considerou Mugabe, acrescentando que “a agenda 2030 representa um vinho novo para o qual precisamos de um novo recipiente para o vinho novo não se infectar”.
O Chefe do Estado zimbabweano advogou finalmente a reorganização do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o reforço do diálogo entre as nações.
“Perguntamo-nos a nós próprios, com razão, se os que gozam e, às vezes, se aproveitam da situação actual, são interlocutores sinceros nestas
discussões”, questionou.
Já o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, defendeu, na tribuna diante da parede de mármore verde nas Nações Unidas, a inclusão de uma representação permanente de África no Conselho de Segurança e pediu também maior atenção aos pequenos estados insulares. No seu primeiro discurso perante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, Ulisses Correia e Silva, manifestou-se preocupado com o actual contexto internacional, onde, adiantou, “não só persistem disputas antigas como proliferam novas crises políticas internas, conflitos armados, acções terroristas, o crime organizado, bem como outras manifestações transnacionais de cariz ideológico como o populismo, a supremacia racial, a xenofobia e a intolerância à diversidade humana e cultural”.
Para o chefe do executivo cabo-verdiano, estes fenómenos que ameaçam a paz global e causam sofrimento, sem poupar nenhuma região, justificam uma representação permanente de África no Conselho de Segurança.
“O Governo de Cabo Verde apoia uma reforma do Conselho de Segurança, que possa reflectir na sua composição alargada, a evolução do mundo de hoje, integrando uma representação permanente da África”, disse.
Ulisses Correia e Silva manifestou apoio às reformas que o Secretário-Geral António Guterres pretende introduzir na organização com vista a responder aos desafios da agenda de desenvolvimento 2030, reclamando maior atenção à situação dos países de rendimento médio como Cabo Verde.
“Deve-se colocar intenso foco sobre a situação particular de países de rendimento médio incluindo os países ao mesmo tempo pequenos Estados insulares em desenvolvimento, como Cabo Verde. Falta uma abordagem comum de resposta à essa categoria de países em termos de novas métricas de avaliação mais sistémica das suas necessidades de financiamento e vulnerabilidades estruturais”, referiu.
A Assembleia Geral das Nações Unidas junta Chefes de Estado e de Governo de mais de 190 países membros.