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Banco de Moçambique revê em alta inflação

Na sua mais recente análise sobre os principais indicadores macroeconómicos, o Banco de Moçambique reviu em alta a inflação e a pressão sobre a dívida interna nos próximos meses.

Na sua mais recente análise sobre os principais indicadores macroeconómicos, o Banco de Moçambique reviu em alta a inflação e a pressão sobre a dívida interna nos próximos meses.
Sobre o agravamento do custo de vida, que acelerou 3,48 % no início do ano, o Banco Central diz que o mesmo decorre, fundamentalmente, do ajustamento em alta do nível do impacto dos choques climatéricos sobre a dinâmica futura dos preços, conjugado com as perspectivas de depreciação do Metical no curto prazo e a tendência para o aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional.
O elevado stock da dívida pública também mereceu destaque, uma vez que o Estado efectuou uma nova utilização de Bilhetes do Tesouro.
Contudo, o regulador do sistema financeiro nacional antevê uma melhoria no crescimento do Produto Interno Bruto, a ser sustentada pela recuperação dos sectores da agricultura e da construção, na sequência dos esforços de reconstrução pós-ciclones, e pela continuidade da melhoria da confiança dos investidores, por causa dos pagamentos atrasados aos fornecedores de bens e serviços ao Estado.

Exportações caíram 9%
Por outro lado, as exportações moçambicanas caíram nove por cento no ano passado, ao situarem-se nos 4,7 mil milhões de dólares. Em contrapartida, as importações aumentaram no período.
O saldo da balança comercial deteriorou em cerca de dois mil milhão de dólares em 2019, devido ao aumento das importações face às exportações, indica o Banco de Moçambique.
Segundo avança o Banco Central, as vendas moçambicanas no exterior, com destaque para os grandes projectos, recuaram para cerca de 4,7 mil milhões de dólares no ano passado, menos 9% que em 2018.
Já as compras aumentaram 10%, ao atingir 6,7 mil milhões de dólares.
Do lado das importações, realça-se o aumento da aquisição de maquinarias, material de construção e automóveis. Por seu turno, a redução das exportações resultou do efeito combinado da queda dos preços internacionais das mercadorias e do impacto negativo dos ciclones Idai e Kenneth sobre a produção e escoamento de alguns produtos de exportação, tais como carvão mineral, rubis e areias pesadas.
No caso do alumínio, os níveis de produção e consequente exportação foram condicionados pelas restrições no fornecimento de energia eléctrica.
Apesar da deterioração da balança comercial, o Banco de Moçambique indica que o saldo das reservas internacionais brutas aumentou para cerca de 3,9 mil milhões de dólares, valor suficiente para cobrir mais de seis meses de importações de bens e serviços, excluindo as dos grandes projectos.