Mundo

Assembleia geral da ONU marcada por divergências

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lembrou esta terça-feira as diversas ameaças — incluindo o perigo nuclear, a mudança climática e os conflitos em andamento — que precisam ser superadas para criar um mundo melhor para todos.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lembrou esta terça-feira as diversas ameaças — incluindo o perigo nuclear, a mudança climática e os conflitos em andamento — que precisam ser superadas para criar um mundo melhor para todos.
O discurso de António Guterres na reunião anual de líderes mundiais na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, foi um dos mais aguardados, a par do de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América, que se tornaram os protagonistas da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
“Somos um mundo em pedaços. Precisamos nos tornar um mundo de paz”, disse Guterres ao apresentar o seu relatório anual sobre o trabalho da organização antes do debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, no qual chefes de Estado e de governo e outros representantes de alto nível do mundo todo discutem importantes questões globais.
Segundo Guterres, o mundo está a ver o crescimento da insegurança, da desigualdade, da disseminação dos conflitos, da mudança climática, enquanto as sociedades estão a fragmentar-se e o discurso político, a tornar-se polarizado.
O chefe da ONU afirmou que as ansiedades globais sobre as armas nucleares estão no seu mais alto nível desde o fim da guerra fria, devido a testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte. “A solução precisa ser política. É hora de estadismo. Não devemos caminhar para a guerra”, alertou, completando que conversas enérgicas podem levar a desentendimentos fatais.
Enfatizando a necessidade de um “crescimento da diplomacia hoje” e “um salto na prevenção de conflitos para o amanhã”, ele disse que é possível se mover da guerra para a paz, da ditadura para a democracia. Segundo Guterres, apenas soluções políticas podem levar paz para conflitos não resolvidos em Síria, Iêmen, Sudão do Sul, Sahel, Afeganistão e em outros lugares. O chefe da ONU anunciou, nesse sentido, a criação de um conselho consultivo de alto nível para a mediação de conflitos.
Ao tratar das mudanças climáticas, pediu aos governos a implementação ambiciosa do histórico Acordo de Paris para o clima. “Não devemos relacionar qualquer evento climático único à mudança climática. Mas os cientistas estão certos de que tais eventos climáticos extremos são precisamente o que os seus modelos previram que seriam o novo normal de um mundo em aquecimento”, disse, lembrando que termos como “mega furacões”, “super tempestades” foram adicionados ao vocabulário para descrever os eventos recentes.
Enquanto lembrou que a globalização e os avanços tecnológicos trouxeram benefícios desiguais, Guterres também enfatizou o lado mau da inovação, como as ameaças de cibersegurança assim como as possíveis implicações negativas da inteligência artificial e da engenharia genética.
Por último, Guterres disse que a migração segura não pode ser limitada a uma elite global, e enfatizou a necessidade de se fazer mais para enfrentar seus desafios. Refugiados, pessoas deslocadas internamente e migrantes não são o problema, e sim os conflitos, as perseguições e a pobreza. Para enfrentar esses desafios, disse Guterres, a ONU lançou iniciativas de reforma da própria organização.

Trump estreia na ONU

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez o seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, com o habitual tom de crítica contra os seus adversários. Logo no início de sua fala, clamou contra a Coreia do Norte, o Irão, Venezuela e contra Cuba: “Vivemos tempos de imensas promessas e grandes perigos”, afirmou. E voltou a falar sobre a crise norte-coreana e o “homem do foguete”, apelido que deu ao líder norte-coreano Kim Jong-un: “Podemos não ter outra opção que não seja destruir totalmente a Coreia do Norte”.
Este foi o primeiro discurso de Trump desde que foi eleito presidente dos Estados Unidos. O republicano também exaltou as suas supostas conquistas como governante: “Os Estados Unidos vão muito bem desde que ganhamos as eleições”, afirmou, defendendo sua bandeira de Governo. “Na América quem manda é o povo. ‘We, the people’, as primeiras três palavras da Constituição, são as mais importantes. Como presidente, sempre colocarei a América primeiro”, completou.

Brasil pede reformas
Antes de Trump, falaram o secretário-geral da ONU, António Guterres, seguido do presidente do Brasil, Michel Temer, que fez o discurso de abertura da Assembleia. Na véspera, o presidente norte-americano criticou a ineficência da ONU, para quem a entidade não produz resultados compatíveis com recursos que recebe. Também falam nesta terça-feira os líderes da França, Turquia, Israel e Colômbia.
Entretanto, o presidente Michel Temer cumpriu a tradição que reserva ao representante do Brasil a tarefa de fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Temer usou a oportunidade para falar das reformas que
o governo tenta implantar.
Michel Temer começou por falar sobre a própria ONU, reconhecendo que as Nações Unidas são cada vez mais importantes para promover o diálogo em um mundo marcado pela instabilidade, mas afirmou que é preciso reformar a organização.
Há anos, o Brasil reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança. Hoje, o conselho tem cinco integrantes permanentes e dez vagas rotativas. “É particularmente necessário ampliar o Conselho de Segurança para ajustá-lo às realidades do século 21”, disse.
Michel Temer disse que o Brasil continua a apoiar o Acordo do Clima de Paris para combater as mudanças climáticas, tendo reconhecido que o seu país é líder em geração de energia limpa e comemorou uma redução do
desmatamento da Amazónia.