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Angela Merkel avalia parceiros

A chanceler alemã, Angela Merkel, que venceu as eleições legislativas de domingo, mas saiu enfraquecida das urnas, prometeu na segunda-feira formar uma maioria governamental estável e reconquistar os muitos eleitores que votaram no partido de extrema-direita alternativa para a Alemanha (AfD).

A chanceler alemã, Angela Merkel, que venceu as eleições legislativas de domingo, mas saiu enfraquecida das urnas, prometeu na segunda-feira formar uma maioria governamental estável e reconquistar os muitos eleitores que votaram no partido de extrema-direita alternativa para a Alemanha (AfD).
“Todos os partidos que, ao nosso ver, são compatíveis para formar uma coligação têm a responsabilidade de permitir a formação de um governo estável”, declarou Angela Merkel.
No domingo, a União Cristã Democrata (CDU), de Merkel, obteve 33 por cento dos votos, o seu pior resultado desde 1949, de acordo com os números definitivos.
Após uma reunião dos líderes conservadores da CDU, a chanceler anunciou que vai iniciar conversações com os liberais do FDP, Os Verdes e os sociais-democratas do SPD.
Agora, para conseguir uma maioria no Bundestag, resta apenas uma solução: uma aliança, inédita até agora em nível nacional, entre conservadores, liberais (10,7 por cento) e Verdes (8,9).
Chamada pela imprensa de Jamaica (pelas cores dos partidos, as mesmas da bandeira jamaicana), essa coligação existe apenas no pequeno Estado de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha.
O problema é que o FDP e Os Verdes têm muitos pontos de divergência em questões como imigração, futuro do diesel, ou abandono das energias fósseis.
O líder dos liberais, Christian Lindner, já estabeleceu uma condição para entrar no Governo de coligação: a rejeição às ideias de reforma da zona do euro promovidas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron. Para ele, um orçamento comunitário comum constitui “uma linha vermelha”, já que Berlim não deve pagar pelo défice dos outros.
As negociações para a formação do Governo de coligação podem durar meses. Até agora, desde as primeiras eleições do pós-guerra, em 1949, o partido vencedor do escrutínio sempre conseguiu formar maioria no Parlamento Federal (Bundestag), e a actual líder democrata-cristã, a chanceler Angela Merkel, já descartou a possibilidade de um governo minoritário. Se não conseguir formar uma nova coligação, o Governo pode convocar novas eleições, de acordo com a Constituição e demais legislação alemã.
Essa quarta vitória consecutiva de Angela Merkel, que está no poder desde 2005, teve um gosto amargo. Os seus aliados da União Social-Cristã (CSU) da região da Baviera, que desejam uma viragem de Merkel à direita, já apresentaram os primeiros sinais de
contestação política.
As eleições legislativas evidenciaram que parte do eleitorado conservador - um milhão de pessoas, de acordo com as pesquisas divulgadas pelos meios de imprensa- votou na AfD, um movimento de extrema-direita contrário ao Islão, ao euro e à política de Merkel
de receber os imigrantes.
“Abandonamos a nossa ala direita e agora temos que preencher este vazio com posições decididas”, disse o líder da União Social Cristã (CSU), Horst Seehofer.