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África em Números

Á África continuou a centralizar as atenções em 2017. De acordo com o relatório “África no ponto crítico”, da Fundação Mo Ibrahim divulgado recentemente, em Londres, o continente continua a apresentar progressos, mas enfrenta um risco real de regredir nos próximos anos, sendo que “o futuro depende cada vez mais da capacidade de África canalizar a energia para satisfazer as expectativas dos jovens”.

Á África continuou a centralizar as atenções em 2017. De acordo com o relatório “África no ponto crítico”, da Fundação Mo Ibrahim divulgado recentemente, em Londres, o continente continua a apresentar progressos, mas enfrenta um risco real de regredir nos próximos anos, sendo que “o futuro depende cada vez mais da capacidade de África canalizar a energia para satisfazer as expectativas dos jovens”.
Até 2050, a população africana passará dos 230 milhões de pessoas em 2015 para 452 milhões, metade das quais com menos de 25 anos de idade. Este activo demográfico corre, no entanto, o risco de ser desbaratado, sublinha o relatório da fundação especializada nas questões de governação no continente africano.
“O ciclo das matérias-primas estimulou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em muitos países africanos, mas quase não criou empregos. Nos últimos dez anos, enquanto o PIB africano cresceu em média acima dos 4,5%, os níveis de desemprego jovem permaneceram elevados”, sublinha a fundação, que dá como exemplo a segunda maior economia africana: “a África do Sul é incapaz de oferecer emprego a mais de metade da sua população jovem”.
Dez das 25 economias que mais cresceram em todo o mundo entre 2004 e 2014 são africanas, não obstante, mais de 30 milhões de jovens africanos estavam desempregados em 2015 e entre um terço e metade dos jovens com educação universitária ou terciária de países como Moçambique, Gana, Quénia, Uganda ou Libéria abandonaram os respectivos países.
O relatório aponta ainda para as questões relacionadas com a democracia e a representação democrática, começando por sublinhar que a média de idade dos líderes africanos era em 2016 de 66 anos, enquanto a média etária da população se encontra nos 20 anos e mais de metade não tem idade para votar.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou que a África subsaariana vai crescer 2,7% este ano, ligeiramente mais que o previsto em Janeiro, essencialmente devido à melhoria nas previsões de crescimento económico da África do Sul.
Na atualização das Perspetivas Económicas Globais (World Economic Outlok), hoje divulgada, o FMI diz que “o ambiente permanece desafiante”, com a economia a crescer 2,7% este ano, mais 0,1 pontos percentuais do que o previsto em janeiro, e 3,5% em 2018, o que mantém a previsão anterior. Para esta região do mundo, que inclui a maioria dos países lusófonos, mas para os quais não existem actualizações individuais, o crescimento previsto “mal vai voltar a território positivo em termos individuais [per capita] e mantém-se negativo para a economia de cerca de um terço dos países”.
A ligeira revisão dos números para 2017 reflecte uma melhoria modesta das perspetivas de crescimento para a África do Sul”, que beneficia de melhor produção agrícola e mineira, apesar de atravessar uma época de elevada incerteza política.