Mercados

Vale tudo quando a fome aperta

Há quem considere como iguaria apetitosa e saborosa. É um guisado de carne de porco picada com molho de jindungo. Tão prático quanto a sua procura. Obviamente motivo para os vendedores do mercado do Km 30 esfregarem as mãos de contente.

Ana Maria confecciona o acepipe nas primeiras horas da manhã ao chegar ao mercado. Prefere serví-lo quentinho. Aliás, fá-lo tendo em conta as exigências dos apreciadores. Com certeza, pela forma como fica exposta nos enormes utensílios ao léu, repugna alguns, dada a carga de poeira à volta. Mas esta imprudência higiénica não é vista assim por todos. O axioma “ o que não mata, engorda” é aplicado e não são poucos os degustadores. Razão para dizer, há comida para o tamanho de todos os bolsos e, se calhar, para todas as vontades. É o caso de Samuel da Fonseca que se vendo com fome e sem muitos recursos para um prato mais caro e mais condimentado, procura estas senhoras da carne de porco ajindungada. A guarnição é da opção destes: hora com pão, ou com as famosas “chicuangas”. Vê “qualidade” no prato. De outra forma claro não poderia ser. O preço pode servir para aferir da “nobreza” do petisco. Segundo este consumidor, a partir dos 100 ou 200 Kwanzas pode se ter os pedaços de carne e molho e até já o funje de bombó. Estamos numa era em que a banda flutuante deprecia o Kwanza. Para as despesas gastam-se mais dinheiro. Uma boa refeição num restaurante de Luanda fica hoje acima dos 3000. Que desproporcionalidade!