Mercados

Redução das reservas cambiais travada com medidas correctivas

Em Janeiro do presente ano, a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a prevalecente no mercado paralelo era de 150%. Noutras palavras, a taxa de câmbio no mercado informal era duas vezes e meia superior à prevalecente no mercado oficial.

Em Janeiro do presente ano, a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a prevalecente no mercado paralelo era de 150%. Noutras palavras, a taxa de câmbio no mercado informal era duas vezes e meia superior à prevalecente no mercado oficial.
De acordo com dados oficiais, neste momento, a diferença está ao redor dos 20%, que é a meta que neste domínio foi estabelecida para ser alcançada até ao final do ano pelo Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM).
O ano de 2018 iniciou com um câmbio de 165,94 kwanzas e deve terminar, daqui há dias, nos 306,82 kwanzas/dólar. Para a autoridade monetária e cambial, o Banco Nacional de Angola, os indicadores fazem admitir que a meta prevista de pôr a inflação abaixo dos 18 por cento deve também ser concretizada e a adopção da taxa administrada assume ser o caminho.
A depreciação do kwanza face ao euro em termos mensais foi inferior em grande magnitude face à registada em Setembro (6,25%), o que poderá ser explicado pela previsibilidade dos montantes a serem vendidos, a frequência dos leilões e pelo facto da procura dos bancos comerciais ter sido inferior à oferta em seis dos leilões realizados. O kwanza face ao euro e ao dólar norte-americano no mercado cambial, em Outubro de 2018, depreciou-se em 1,82 e 4,36%, sendo que em termos acumulados, a depreciação foi de 47,02 e de 46,12%, respectivamente, fixando-se no final do mês de Outubro de 2018 em Eur/Kz 350,202 e em Usd/Kz 307,902, respectivamente.
No mercado informal, o kwanza face ao euro e ao dólar norte-americano registou uma depreciação de 7,95 e de 5,63%, fixando-se em Eur/Kz 440,000 e em Usd/Kz 384,583, respectivamente. Assim, o diferencial da taxa de câmbio do euro e do dólar em relação ao kwanza entre o mercado primário e o informal fixou-se em 25,74 e 24,90%, respectivamente.
De acordo com a informação mais recente publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga a nível nacional e da província de Luanda situou-se em 18,08 e 17,35% contra os 19,21 e 19,22 verificados no período anterior, respectivamente.
Em termos acumulados, foi registada uma inflação de 15,44 e 14,86% a nível nacional e da província de Luanda, respectivamente.
Ao contrário do ocorrido no mês de Setembro, a inflação mensal a nível nacional fixou-se acima da inflação de Luanda, registando uma variação de 1,39 e 1,37%, respectivamente. O comportamento da inflação a nível nacional foi justificado, principalmente, pelo aumento da inflação nas províncias de Cabinda (0,53), Cuando Cubango (0,47), Zaire (0,35) e Malanje (0,11 p.p.).
Em Outubro de 2018, a conta de bens foi superavitária em 2,2 mil milhões de dólares. No entanto, representou uma redução face ao mês anterior (2,4 mil milhões) e face ao período homólogo (2,3 mil milhões) em torno de 9,46 e 3,97%, respectivamente. A redução da conta de bens resultou da diminuição do valor das exportações que registaram um total de usd 3,48 mil milhões (-6,05%), bem como do aumento do valor das importações para 1,28 mil milhões de dólares (+0,42%).
Realça-se que do valor total das importações, 348,90 milhões de dólares foram para importação de bens alimentares, usd 199,16 milhões para combustíveis e 736,60 milhões para outras, destacando-se nesta última categoria o valor de 178,15 milhões para reactores nucleares e 88,22 milhões para máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos. Do valor de importação de bens alimentares, 88,58 milhões de dólares correspondem a importações de carnes e miudezas e 63,12 milhões para cereais; estes dois produtos correspondem a cerca de 43% do total.