Mercados

Produção nacional responde elevada procura de alimentos

O consumo de alimentos produzidos localmente começam, paulatinamente, a ganhar preferência de muitas pessoas.

O consumo de alimentos produzidos localmente começam, paulatinamente, a ganhar preferência de muitas pessoas.
A qualidade do produto, conservação, isento de muitos químicos na fase do cultivo e armazenamento, estão na base da sua eleição.
Em Luanda, há fartura de alimento, quer no mercado formal quer no informal. Camiões carregados de tomate, batata, legumes, fruta, ovos, galinhas enfim são divisados em muitas esquinas de Luanda. São provenientes de vários cantos do país desde a zona
Norte, Centro e Sul.
Uma carrinha carregada de frutas, legumes e batata, está encostada nas imediações entre o bairro Camama e o Golf II. Os proprietários vindos da província do Cuanza Sul possuem campos agrícolas com o produto a estragar-se. Luanda é o local para a venda, suposta há maior poder de compra. Um balde de tomate custa 1000 kwanzas, por um saco de batata rena nacional de 25 quilos paga-se kz 2.500 a importada 2.000, um saco de cebola com o mesmo peso o cliente paga kz 3.500, pelo balde kz 1.550 e um cartão de ovos kz 1.500.
Jorge Máquina é o dono da carga, para efectivar a operação é auxiliado por um jovem que serve também de segurança, além do motorista. A carrinha foi alugada ao preço de kz 200 mil e tem uma capacidade para oito toneladas.
No município do Libolo (Cuanza Sul), possui quantidades de terra cultivada, sendo que a venda da produção e o escoamento constituem a “travessia pelo deserto”. Não há compradores. As estradas estão literalmente “mal”,e comprometem a comercialização. “A venda baixou substancialmente”, afirma.
Alega-se a baixa da compra devido à oferta que está a superar a demanda. Apesar disso, diariamente grandes quantidades de camiões fazem-se às estradas para atingirem os mercados de Luanda, considerado o maior.

Centros urbanos
A proximidade com os grandes centros urbanos parece ser a nova táctica para os “camionistas” poderem vender os seus bens, com maior rapidez.
É o caso de Quingado Cazanga, que estacionou a sua viatura com os produtos próximo ao Estádio “multiusos”, perto da centralidade do Kilamba. O ponto permite que os moradores, tanto os que entram como os que saem possam ser atraídos para comprarem os mantimentos.
“Aqui consigo atrair os meus clientes”, disse. O preço regista pouca variação. Com nove toneladas de produto diverso faz contas em relação ao passado, acha que a oferta subiu. “Os compradores aparecem pouco”, justifica.

Importação
está a reduzir

Dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados no ano passado apontam que Angola importou no primeiro trimestre, o equivalente a 69.806 milhões de kwanzas (356 milhões de euros) em produtos agrícolas, além de 30.271 milhões (155 milhões) em alimentos.
“Semear para depois colher”foi o “slogan” que dominou a campanha agrícola passada.
O que se quer é tirar maior proveito da terra, ao ponto de produzir bens alimentares não só para o próprio consumo, mas também para a exportação.
Estima-se que mais de dois milhões de famílias angolanas vivem da agricultura, proporcionando emprego para 2,4 milhões de pessoas, numa altura em que o sector controla 13 mil explorações empresariais.
O país tem 35 milhões de hectares de terras aráveis para a prática da agricultura, sendo que cinco milhões de hectares (14%) têm sido cultivadas, além de uma faixa irrigável de sete milhões de hectares, metade dos quais de exploração tradicional.
Conta com uma rede hidrográfica constituída por 47 bacias e com um potencial hídrico estimado em 140 mil milhões de metros cúbicos. 

“há muita comida a estragar
no campo em todo o país”

“Há necessidade de se criarem políticas comerciais que facilitem o produtor a sair do campo e trazer a sua mercadoria com maior segurança, afirmou o comerciante Barros Canongo, tendo destacado que “há muita comida a estragar”.
Frisou que existe a “falsa ideia de que não há produção”. “É uma mentira. Os produtos apodrecem no campo”.
No mercado do Kifica (Benfica), muitos camiões carregados e a descarregar estão perfilados. A venda é feita a grosso e a retalho.
O movimento é intenso. Paulina Gabela, cliente do mercado prefere fazer as compras nos dias úteis da semana, no caso terça-feira, por considerar que durante o fim-de-semana o “movimento é muito agitado”.
Já no mercado do Catinton (Rocha Pinto), a história se repete. O jovem Marco Ferreira tem muito gado caprino. Luanda é o sítio certo para vender. Lourena Matias dedica-se à comercialização do abacaxi. Possui muitos hectares plantados. Um abacaxi vende a kz 200,00.
Muitas vezes para não demorar “despacha” uma bacia com 20 abacaxis a kz 1.000,00. Os compradores consideram favoráveis os preços.
Reconhecem que há maior oferta de alimentos nos últimos tempos.