Mercados

Brent mexeu com as contas

O petróleo é ainda o carro-chefe na estratégia de desenvolvimento da economia angolana, pelo que os preços das encomendas do Brent nos mercados internacionais têm influência directa na arrecadação de receitas fiscais para o Estado.

O petróleo é ainda o carro-chefe na estratégia de desenvolvimento da economia angolana, pelo que os preços das encomendas do Brent nos mercados internacionais têm influência directa na arrecadação de receitas fiscais para o Estado.
Este ano, a expectativa estava na possibilidade de o preço do barril vir a atingir os 90 ou 100 dólares, ou no mínimo, como previsto, fechar o 2018 em torno dos 80 dólares. O preço do barril caiu dos 80 dólares para os actuais pouco mais de 50 e dali não ata nem desata.
A Opep, da qual Angola é membro, envidou esforços para concretizar tais previsões. Nem mesmo as reuniões de concertação, realizadas em Junho e Novembro, e que reduziram as quantidades de oferta mundiais foram capazes de segurar a estabilidade. Comprovou-se assim uma cada vez mais forte dependência do petróleo aos cenários geopolíticos.

Peso da indústria
A indústria extractiva do petróleo em Angola teve um peso 85 por cento no Índice dos Preços dos Produtores (IPP), do I trimestre de 2017 ao II trimestre de 2018. As variações do IPP foram influenciadas elos preços de extracção do petróleo, exercendo assim um peso considerável.
Foram registadas duas variações significativas este ano, sendo uma observada no I trimestre de 2017, com uma taxa de variação de 19,7 e a outra com 36,3% no II trimestre de 2018. Neste período, notou-se que o Índice de Preço no Produtor a nível nacional foi influenciado pelo índice de preço do produtor da indústria extractiva.

Receitas petrolíferas
Até ao primeiro semestre deste ano de 2018, as receitas petrolíferas cifraram-se em 1,47 bilião de kwanzas com a venda de 233,8 milhões de barris.

O que fica para o Estado?
Apenas 37 por cento das receitas arrecadadas com a comercialização do petróleo são canalizadas aos cofres do Estado angolano, 41 por cento servem para recuperação dos investimentos e 22 por cento constitui o lucro das companhias petrolíferas, segundo dados disponibilizados pela AGT. Em 2018, Angola produziu, diariamente, um milhão 490 mil barris de petróleo, o que permite arrecadar em média usd 96 milhões e deste valor 35,5 milhões de dólares (37 por cento) é a receita líquida do Estado.
Os dados disponibilizados pelos operadores adiantam que 80 por cento da produção global de petróleo em Angola é feita na província do Zaire, no Soyo, em offshore. Cabinda representa os restantes 20 por cento, explorado no Bloco Zero.
Em relação ao excedente da receita petrolífera, disse que já atingiu usd 3,6 mil milhões e espera-se que até ao final do ano atinja 4,5 mil milhões.