Mercados

Brent ao “assalto” dos 70 dólares

O barril de petróleo Brent, para entrega em Março, iniciou as operações de quarta-feira nos 69,17 dólares. Na terça-feira, fechara já no mercado de futuros de Londres a 67,78 dólares, mais 0,22 por cento do que no fim da sessão de segunda-feira.

O barril de petróleo Brent, para entrega em Março, iniciou as operações de quarta-feira nos 69,17 dólares. Na terça-feira, fechara já no mercado de futuros de Londres a 67,78 dólares, mais 0,22 por cento do que no fim da sessão de segunda-feira.
O petróleo do mar do Norte, de referência às exportações angolanas, segue uma trajectória de recuperação e continua a sequência positiva. Por um lado, resultante do acordo de redução da oferta a que a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e parceiros fora do cartel, liderados pela Rússia, chegaram, em Novembro do ano passado. Por outro lado, os preços também estão a ser favorecidos pela instabilidade da produção americana, que desde que suspendeu a exploração do Xisto (devido a alta do custo) só tem beneficiado a oferta mundial e, consequentemente, os preços.

A galinha dos ovos de ouro
As receitas fiscais angolanas são em maioria resultante da exportação de petróleo. Quando o petróleo está em alta, as contas angolanas são favorecidas. de contrário, também ocorre.
Recentemente, apesar de manter-se convicto e com um decurso voltado à diminuição do peso do petróleo nas contas, o Presidente de Angola, João Lourenço, disse ser preciso que Angola cuide da sua “galinha dos ovos de ouro” numa alusão à Sonangol, empresa estatal concessionária do mercado de hidrocarbonetos.
E quando abordou sobre os excedentes, pois o Orçamento de Angola fixou o preço de barril nos 50 dólares por prudência e garantia de estabilidade, o Presidente falou que muitas das rubricas não previstas no OGE poderão ter a oportunidade de entrar e/ou serem executadas, uma vez que poder-se-á ter mais dinheiro e com o mesmo dar-se cumprimento de tais premissas.

Sim ou não no petróleo?
A dependência da economia angolana ao petróleo é cada vez mais questionada. O especialista em petróleo José de Oliveira disse a este respeito que a economia deve estar, hoje, menos dependente do que anteriormente pela simples razão de que os anos dourados da renda petrolífera, quando o barril andava pelos 100 dólares, não devem voltar, mesmo que os preços subam no futuro para valores idênticos, porque hoje os custos de colocação em produção são mais elevados que nos anos 90.
Para ele, o desenvolvimento do país, a médio prazo, em termos de geração de riqueza passa pelo aumento da produção agropecuária, pois Angola tem de passar a comer nacional e, por exemplo, deixar de importar carne porque pode abater animais do grande parque pecuário do sul do país, e também pelo lançamento da indústria mineira, que depende do investimento estrangeiro, já que o país tem vários recursos além dos diamantes.
Contudo, José Oliveira entende que um dos problemas mais complicados de resolver é o do aumento da produtividade, pois ela, em Angola, é uma das mais baixas do continente africano e na África Austral está muito longe dos índices dos países vizinhos. “A baixa produtividade inviabiliza quase por completo o estabelecimento de indústrias de exportação com competitividade para os mercados vizinhos da África Austral”.

Afasta-se cenários de crise
Entre 1970 e 1973, um período de transição do antigo sistema monetário para um outro tipo de organização, a economia mundial ganhou volume com o crescimento das economias nacionais, ou seja, o crescimento da produção industrial; o que foi, logicamente acompanhada da expansão da base monetária mundial, o resultado foi a inflação, que começou a subir no mundo inteiro.
Com a expansão da produção industrial aumentou, por conseguinte, a procura por matérias primas, dentre as principais, o petróleo. Os cinco principais produtores de petróleos do mundo, todos países atrasados, (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela) criaram a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), cujo, objectivo era aumentar a alíquota de impostos e os Royalties que as empresas petrolíferas privadas davam aos países onde se instalavam. Fez-se necessário aumentar o preço do barril. Aproveitando-se do “boom” do crescimento industrial e o momento crítico de guerras envolvendo países produtores e a especulação
financeira gigantesca.
Todavia, a crise que se instalou em 2014, e fez cair o preço do barril que já desfilava nos 100 dólares, parece não voltar tão cedo e também porque mais prevenido mostram-se os cartéis.