Mercados

Brent anima as contas

O preço do barril de petróleo Brent para entrega em março abriu ontem, quinta-feira, em alta no mercado de futuros de Londres, a valer 68,16 dólares, o valor mais alto desde Dezembro de 2014. A cotação que atingiu o barril representa uma subida de 47 por cento, tendo em conta os 68,16 dólares da sessão de quarta-feira.

O preço do barril de petróleo Brent para entrega em março abriu ontem, quinta-feira, em alta no mercado de futuros de Londres, a valer 68,16 dólares, o valor mais alto desde Dezembro de 2014. A cotação que atingiu o barril representa uma subida de 47 por cento, tendo em conta os 68,16 dólares da sessão de quarta-feira.

Já mesmo na quarta-feira, o preço do barril de petróleo Brent encerrou no mercado de futuros de Londres a subir 1,90 por cento, para os 67,84 dólares, o valor mais alto de fecho desde dezembro de 2014, de acordo com a agência de notícias espanhola, efe.
O petróleo europeu, que durante o dia de quarta-feira chegou a cotar nos 67,94 dólares, não tinha fechado uma sessão com um valor tão alto desde 05 de dezembro de 2014, quando terminou nos 69,07 dólares.
Os analistas atribuíram a subida ao facto de alguns fundos de investimento terem apostado com força na continuação da subida do crude em 2018, devido a pressões geopolíticas.
Chamado a comentar, o economista Paulo Ringote disse que o aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, acima do valor estabelecido no OGE, para 2018, tem como primeiro impacto o aumento das receitas ordinárias do tesouro, garantindo assim a possibilidade da execução plena do OGE, concorrendo, igualmente, para uma eventual revisão em baixa do Plano Nacional de Endividamento para 2018, o que poderá levar a alteração da perspectiva do balanço das contas públicas, de uma previsão de défice de 2,9 por cento para um superávit orçamental.
Paulo Ringote, que é também o director do Instituto de Finanças Públicas (INFORFIP), órgão afecto ao Ministrério das Finanças, disse ainda que o superávit orçamental é necessário pelas ramificações positivas que tem sobre a economia, como seja, a indução em baixa, quer nas taxas de juro, quer na taxa de câmbio e, em última instância, na redução da pressão sobre as Reservas Internacionais Líquidas. Estes benefícios estão associados a uma redução da inflação, ao estímulo da actividade produtiva do sector privado, garantindo assim o aumento da produção nacional e o crescimento da economia nacional.
“No entanto, recomenda-se a manutenção da prudência fiscal em face da previsão de receitas extraordinárias, no sentido da manutenção do nível actual da despesa pública, evitando assim eventuais pressões para o aumento desta. As receitas extraordinárias deverão ser contabilizadas e alocadas ao Fundo de Reserva do Tesouro Nacional, vindo este a funcionar como um futuro amortecedor cíclico da economia angolana. As mesmas poderão ainda ser utilizadas para antecipar a amortização da dívida pública”, disse.