Mercados

Bancos podem não sobreviver

A inflação para o ano de 2019 deve situar-se no intervalo definido no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018 -2022, ou seja abaixo de 19%.

A inflação para o ano de 2019 deve situar-se no intervalo definido no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018 -2022, ou seja abaixo de 19%, para que se cumpram os demais pressupostos do referido programa, pois qualquer “derrapagem” descontrolada pode comprometer os desafios do executivo em termos de estabilidade macroeconomia.
Este é o entendimento do economista Carlos Gomes, para quem há toda a necessidade de os bancos cumprirem com a sua vocação primária que é de repassar para o sector produtivo os recursos disponíveis com os benefícios intrínsecos, observando as regras de prudência que regem a actividade.
Carlos Gomes observa também que durante muito tempo alguns bancos comerciais singiram a sua actividade em operações cambiais, ao ponto de se confundirem com casas de câmbio em tamanho ampliado, contribuíndo inclusive em certa medida na especulação cambial, face ao grau de “promiscuidade” que existia, com efeitos perniciosos cuja cura se mostra dolorosa tanto a economia, como e principalmente no domínio social.
“Extirpado o factor cambial desfavorável, os bancos que não cumprirem com a sua vocação, não poderão sobreviver, num quadro de concorrência e maior transparência”, assegura.
Lembra que em qualquer economia organizada, os mercados são segmentados, ou seja: cada segmento ocupa-se de um domínio específico, contrariamente ao que acontecia em Angola, em que os recursos disponíveis serviam apenas uma franja ténue de pessoas que eram e faziam tudo, desde a política ao mercado cambial, desestruturando deste modo o mercado financeiro.
“A convergência cambial é o antídoto para esse mal, anulada essa margem de ganho “especulativa” ninguém ousará aprestar-se à um negócio “cambista” de risco sem benefício”, disse.

Taxa de câmbio
No que respeita a taxa de câmbio, Carlos Gomes entende ser esta um factor a ter em conta, que pode determinar a retração ou expansão económica, sobre tudo na sustentabilidade das empresas e sobrevivência das famílias.
A realidade patente da economia mostra que os bancos comerciais, devido ao elevado diferencial cambial, tiveram maior propensão em adquirir Obrigações de Tesouro (OT), do que conceder créditos ao sector empresarial, face a “corrosão” produzida pelo esforço (necessário) da convergência cambial por via do instrumento (desvalorização) deslizante, monitorado pelo Banco Central, através de uma banda de oscilação, iniciada em Janeiro, com resultados positivos - embora dolorosos, mas
incontornáveis.