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Viagem de Luanda ao Bié convida turistas ao interior

O percurso entre a capital do país e as demais cidades do interior de Angola começa no terminal da Macon onde partem vários autocarros que transportam passageiros e bens diversos que chegam a todas províncias.

Mesmo depois das festividades de Natal e o prenúncio de Ano Novo, os principais terminais de transportes públicos interprovinciais da capital continuam a registar um movimento frenético de pessoas e bens que rumam para o interior do país, num verdadeiro convite turístico para o interior do país, principalmente para a província do Bié, que dista mais de 720 quilómetros da capital e a viagem dura entre nove e 12 horas.
Este é o caso do terminal da Macon, situado no bairro do Rocha Pinto, um dos principais locais de embarque e desembarque de passageiros que rumam e chegam do Sul de Angola, com duas vias alternativas, nomeadamente a do Dondo e o troço do Alto Hama, que convidam turistas nacionais e estrangeiros a embarcarem numa verdadeira aventura, como foi o caso da reportagem do JE, que nos levou a percorrer o trajecto Luanda/Bié, em pouco mais de 12 horas.
Durante a viagem, pela operadora Macon, foi possível testemunhar, o sobe e desce, as curvas e contra curvas, a paisagem convidativa que toma os olhos de quem viaja a uma velocidade moderada, bem como ouve os choros, gritos candandos e beijos de homens e mulheres, crianças e adultos, solteiros e casais que viajam na carreira daquela transportadora e vão ficando ao longo do trajecto, dominado principalmente por aldeias.
A imagem da guerra ficou para atrás, o que permite agora ver o crescimento de vilas, aldeias e cidades, como é o caso do Cuanza Sul, que serve de intermediação entre Luanda e Bié, passando pelo município do Alto Hama, no Huambo, dá boas vindas ao Cuito, sede capital da cidade mártir.

Pontos turísticos
A província do Bié dispõe de 31 áreas turísticas que, na sua maioria, continuam a carecer de investimentos, por forma a atrair investidores e consequentemente contribuir para a arrecadação de receitas para os cofres do Estado. Constituem parte deste acervo, o centro turístico da Chicava, Jardim da Pouca Vergonha (Cuito), as águas térmicas do Essonda, a gruta Paleolítica, Dombe (Andulo), o Centro Geodésico de Angola (Camacupa), a nascente do rio Kwanza (Chitembo), as queda do rio Luando (Cuemba), entre outras.
Aquela localidade, considerada o centro de Angola, possui uma extensão territorial de 70 mil 314 quilómetros quadrados, uma população estimada em um milhão 338 mil 923 habitantes, distribuídos em nove municípios, nomeadamente Cuito, Andulo, Nhârea, Cuemba, Cunhinga, Catabola, Camacupa, Chinguar e Chitembo, tem muito ainda para se descobrir e é aqui que conhecer parte dela chama os turistas e homens de negócios à viagens quase que épicas para explorar as suas potencialidades.


Palavras dos viajantes
Por exemplo, João Paulo, 42 anos, um dos passeiros com quem conversamos, confessa que nos últimos dias as contas estão cada vez mais apertadas, mas mesmo assim, faz todos os possíveis para obter dinheiro e cobrir as despesas pessoais da viagem, que faz com frequência para ver a família e investir em pequenos negócios. Por isso, opta sempre por viajar de autocarro, que lhe serve para poupar dez mil kwanzas. O que não seria possível se fosse de avião para a sua província, o Bié. “Além de poupar na viagem de autocarro, permite observar as paisagens e conhecer um pouco mais das potencialidades do país”, reconheceu.
O percurso Luanda/Cuito, pela Macon, começa no terminal do Rocha, Avenida 21 de Janeiro, poucos metros da rotunda do Gamek. O imponente terminal de transporte de passageiros, construído numa zona de aproximamente 2.000 metros quadrados, dispõe de uma agência bancária para facilitar as transacções, oito bilheteiras, com capacidade para atender igual número de passageiros por minuto, restaurantes e oito portas de embarque de passageiros.
Segundo desabafa Marcos António, auxiliar de limpeza, o ambiente naquele espaço é frenético e a rotina é quase a mesma todos os dias, caracterizada por muita agitação. Neste terminal, por dia passam entre sete e oito mil pessageiros, desde angolanos, malianos, senegaleses, portugueses, chineses, congoleses democráticos, que se fazem a estrada para rumar ao interior do país.

Preço de viagem
As passagens variam de acordo o destino. Explica a operadora de vendas. Neste terminal existem dois serviços. O Vip e o normal. O bilhete Vip, atende apenas as linhas Luanda/Sumbe, Sumbe/Benguela e termina na escala da Huíla. Já os normais, transporta passageiros para todos os destinos do país, com excepção da província de Cabinda, que só é feita de avião. Para o serviço vip, os bilhetes custam oito e quinze mil kwanzas. Já a passagem económica, esta vai dos cinco aos dez mil kwanzas.
O serviço não vip, consta entre os mais solicitados. e despõe de maior número de vagas. Já o serviço vip, há mais de um ano no mercado vai ganhando lugar junto de passageiros que interessados em viajar com maior comodidade. A julgar pela exiguidade de lugares, normalmente os bilhestes esgotam em pouco tempo. Os passageiros vips são transportados em autocarros de dois pisos. O andar superior acolhe passageiros da classe executiva. Já o piso inferior os passageiros da primeira classe. A principal diferença está nas cadeiras confortáveis e na refeição durante a viagem.

Opções para alimentação Ao longo do percurso existem várias opções para alimentação. Desde sopas, magogas e bolos diversos a partir do terminal, nos Ramiros, no mercado do Miradouro da Lua, na barra do Kwanza, no Porto Amboim, no Alto Hama há comida, desde frutas e quitutes da terra, que podem ser apreciadas até o destino.
Para uns as preferências recaem para comidas caseiras, transportadas em marmitas. Outros preferem os quitutes da terra ao longo do percurso. No que se refere às frutas, a terra não deixa ninguém em mãos alheias. É possível encontrar batata, ginguba, mandioca, sapesape, cana-de-açúcar e muito mel. “Em viagens dessa natureza prefiro os quitutes da terra”, afirma Augusto Lopes, viajante.
À entrada do Bié é visível a cobertura vegetal primitiva, que altera bastante nas zonas submetidas ao cultivo, e é constituída pelo complexo fito-geográfico , ou seja, floresta aberta, mata de panda, savana com arbustos, com extensas manchas de comunidades herbáceas dos altiplanos, além de paisagem recortadas por vários cursos de água importantes que definem as bacias hidrográficas do Kwanza, Kubango, Luanda, Kuemba, Cutato, Cuiva, Cuquema, Ngumbo, Cuchi, Cunhiga e Kunje, que vale a pena conhecer.